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Caracas vive clima de tensão com patrulhamento de paramilitares e revistas nas ruas

Comandados por Diosdado Cabello, homens armados atuam em caravanas de motocicleta desde a prisão de Maduro

Foto: Reprodução/X/@bielferrigno

 

A capital venezuelana está sob clima de apreensão com a intensificação da presença de paramilitares pró-Nicolás Maduro, que passaram a patrulhar as ruas de Caracas de forma mais ostensiva desde a noite de domingo (4).

Comandadas pelo ministro do Interior, os chamados “coletivos” atuam em caravanas de motocicletas armadas, revistas de veículos e abordagens a cidadãos em diferentes pontos da cidade. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

De acordo com relatos de moradores ouvidos pela reportagem, os grupos concentram-se principalmente no oeste da capital e na região central, onde ficam sedes de organizações da sociedade civil e entidades de defesa dos direitos humanos.

Em diversos bairros, foram montados postos de controle, chamados de “alcabalas”, nos quais motoristas e pedestres são revistados, inclusive em vias de grande circulação. Há casos em que cidadãos foram obrigados a desbloquear seus celulares.

O momento no país vizinho é de “tensão silenciosa”, descreveu uma ativista de direitos humanos sob condição de anonimato por razões de segurança.

Segundo ela, há uma “consciência coletiva” de que é necessário adotar cautela, especialmente após a repressão aos protestos de 2024 contra as eleições presidenciais que mantiveram Nicolás Maduro no poder, marcadas por denúncias de fraude.

Cinco dias após o ataque americano que culminou na deposição do ditador venezuelano, e em meio a incertezas sobre os desdobramentos políticos, parte do comércio voltou a funcionar, numa aparente normalidade.

Ainda assim, moradores evitam se expor, moderam publicações nas redes sociais e redobram a atenção ao circular pela cidade.

Os coletivos surgiram durante o governo de Hugo Chávez, nos anos 2000, inicialmente como organizações de apoio comunitário ao regime. Com o passar dos anos, passaram a atuar também como força paralela de controle e intimidação política.