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Bahia líder em energia limpa: como o estado se consolidou como potência renovável do Brasil

O Brasil é hoje o 5º país do mundo em capacidade eólica onshore, e a Bahia é o motor dessa posição

Foto: Ari Versiani/PAC

 

O estado da Bahia já figurava entre os destaques nacionais em energia renovável quando o governador Jerônimo Rodrigues tomou posse em janeiro de 2023. Porém, foi ao longo do seu primeiro mandato que o estado deu um salto sem precedentes, consolidando-se como a maior potência em energia limpa do Brasil e referência internacional na transição energética.

E os números não deixam dúvida: as fontes renováveis respondem por 93,6% da matriz estadual, índice que poucos territórios no mundo alcançam. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a Bahia conta com 616 empreendimentos de geração em operação, somando 21,9 GW de potência — dos quais 381 usinas eólicas (11,83 GW) e 101 solares (2,97 GW). No início de 2023, o estado operava com cerca de 280 usinas eólicas e solares, com capacidade em torno de 8 GW. Hoje, em 2026, são 482 usinas dessas duas fontes, com potência próxima de 15 GW — quase o dobro. Nos dois primeiros anos do governo Jerônimo, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) viabilizou mais de 400 protocolos de intenções, com estimativa superior a R$ 150 bilhões em investimentos, tendo sido implantados 127 novos parques.

A partir de 2024, a Bahia passou a responder por 60% de toda a nova capacidade eólica instalada no Brasil — 48 dos 76 novos parques nacionais — e liderou a geração com 35,59 TWh, à frente do Rio Grande do Norte e do Piauí. Em agosto daquele ano, a fonte eólica chegou a suprir 129% do consumo de todo o Nordeste, exportando o excedente para as demais regiões do país.

Marcos institucionais e projeção internacional

Além de acelerar a implantação de parques eólicos, o governo criou marcos regulatórios de longo prazo. Já em maio de 2023, Jerônimo reuniu-se com a ABEEólica e instituiu um grupo de trabalho intersetorial para dar celeridade, segurança jurídica e sustentabilidade à expansão do setor. Em abril de 2025, sancionou o Protener (Lei nº 25.437/2024) — a primeira Política Estadual de Transição Energética do Brasil —, com diretrizes para hidrogênio de baixa emissão de carbono, biocombustíveis renováveis, pesquisa tecnológica e inclusão da agricultura familiar na cadeia energética.

Na fronteira do hidrogênio verde, o governo lançou o Plano Estadual do H2V e publicou o primeiro Atlas de Hidrogênio Verde do mundo, posicionando a Bahia como polo estratégico para investidores internacionais. Jerônimo levou esses resultados à COP 28 (Dubai), ao World Hydrogen Summit (Roterdã) e à COP 30 (Belém), onde, ao lado do presidente Lula, apresentou a Bahia como referência na transição energética brasileira, com matriz elétrica 98% renovável e mais de 1,2 mil empreendimentos distribuídos por 70 municípios.

A atração da BYD para Camaçari — inaugurada em outubro de 2025 como a maior fábrica de veículos elétricos da América Latina — adicionou outra dimensão à estratégia, integrando mobilidade sustentável e industrialização verde, com previsão de instalação de plantas de processamento de lítio e ferro fosfato nos próximos cinco anos.

Para enfrentar o principal gargalo do setor — o escoamento da energia produzida —, o governo apoiou o Projeto Serra Dourada (R$ 3,2 bilhões, PAC federal): cinco linhas de transmissão em 500 kV, totalizando 1.097 km, que conectarão o Oeste baiano ao Norte de Minas Gerais, beneficiando 20 municípios.

Empregos: energia que transforma o semiárido

O impacto mais tangível da expansão renovável está na geração de empregos. Segundo a SDE, o setor já criou mais de 167 mil postos diretos e indiretos até fevereiro de 2025, majoritariamente em municípios do semiárido, como Sento Sé, Morro do Chapéu, Caetité e Campo Formoso. De acordo com a FGV-IBRE, os municípios que receberam parques eólicos apresentaram aumento de 21% no PIB real e de 20% no IDHM. O governo investiu também na qualificação profissional, com programas de capacitação técnica pelo SENAI Bahia e iniciativas de inclusão de mulheres em cargos operacionais de parques eólicos.

Perspectivas para os próximos quatro anos

A carteira de projetos aprovados na Bahia soma 1.162 empreendimentos e 45,66 GW — mais que o dobro do que está em operação. No setor solar, há 17,5 GW a serem materializados; na eólica, cerca de 6 GW. As projeções incluem investimentos de R$ 90 bilhões em novos empreendimentos solares até 2030, com potencial de geração de até 748 mil empregos. A cadeia do hidrogênio verde deverá se consolidar com plantas voltadas à exportação e à descarbonização do Polo Petroquímico de Camaçari. E o Protener garante continuidade institucional às políticas de transição energética.

O Brasil é hoje o 5º país do mundo em capacidade eólica onshore, e a Bahia é o motor dessa posição. Com 93,6% de matriz renovável, mais de 167 mil empregos gerados, R$ 100 bilhões investidos e uma carteira de 45,66 GW, o governo Jerônimo Rodrigues transformou a energia limpa em pilar do desenvolvimento econômico e social do estado — da atração de investimentos à criação de marcos regulatórios, da geração de empregos no semiárido à projeção internacional nas COPs.