JUSTIÇA


Resort ligado à família de Toffoli abriga cassino com jogos ilegais

Funcionários do local tratam ministro do STF como proprietário do empreendimento, que fica no Paraná

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

 

O Resort Tayayá, que é ligado à família do ministro do STF, Dias Toffoli, abriga cassino com jogos ilegais, como a modalidade blackjack. Recentemente comprado por sócio de presidente da Friboi, o empreendimento está localizado no município paranaense de Ribeirão Claro. As informações são da colunista Andreza Matais, do portal Metrópoles.

Os funcionários do local tratam Dias Toffoli como proprietário. O ministro do STF vai com frequência ao Resort Tayayá e tem uma casa próxima do local, em uma área denominada Ecoview, destinada a hóspedes de alto padrão. Dias Toffoli tem também à sua disposição uma embarcação, que fica atracada no píer do resort.

Sobre a venda do resort

Segundo Andreza Matais, o advogado Paulo Humberto Barbosa comprou todas as cotas do Resort Tayayá, que pertencia a dois irmãos e um primo de Dias Toffoli.

Paulo Humberto é sócio do atual presidente da Friboi, Renato Mauro Menezes Costa, e de Gabriel Paes Fortes, que é cunhado de José Batista Júnior, irmão mais velho de Joesley e Wesley Batista. Paulo Humberto, Renato Mauro Menezes Costa e Gabriel Paes Fortes são donos da Petras Negócios e Participações, empresa de aluguel de aeronaves.

Procurada para falar sobre o assunto, a JBS, empresa que detém a marca Friboi e que pertence aos irmãos Joesley e Wesley Batista, escreveu em nota que “o escritório do advogado mencionado [Paulo Humberto Barbosa] defendeu a empresa em ações no estado de Goiás. Nem a companhia nem os acionistas possuem qualquer relação com as empresas citadas ou com qualquer outro negócio do advogado”.

Toffoli é pressionado sobre o caso Master

Dias Toffoli tem sido pressionado para deixar a relatoria do caso Master. De acordo com a colunista Daniela Lima, do portal UOL, o magistrado não sairá da posição por vontade própria, nem será “empurrado” por pressões da corte ou externas.

Pesam contra Toffoli informações de que o ministro viajou com advogado do caso Master para Lima, onde assistiu a final da Libertadores entre Palmeiras e Flamengo; o fato empresas de irmãos de Toffoli terem tido como sócio um fundo ligado a suspeitas no caso Master; e o fato de Toffoli determinar sigilo amplo no processo que envolve o presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Um afastamento de ofício por parte do presidente do STF, Edson Fachin, não tem apoio majoritário na corte, ainda segundo a colunista Daniela Lima. O motivo é o risco de abrir um “perigoso precedente” que deixaria todos os ministros expostos “ao sabor das pressões políticas”.

Entenda o caso Master

Em setembro, o Banco Central barrou a aquisição do Banco Master pelo BRB, ao apontar a falta de documentos que comprovem a viabilidade econômico-financeira do negócio. Dois meses depois, o dono do banco, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal e passou a ser investigado por suspeitas de fraudes contra o sistema financeiro, mas foi solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

Segundo a Polícia Federal, o Banco Master teria emitido Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessa de rendimentos de até 40% acima da taxa básica do mercado, retornos considerados irreais pelos investigadores. O esquema pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões. As investigações também analisam a venda de papéis do Banco Master ao BRB.