JUSTIÇA


Relatório do TSE aponta doações de pessoas mortas à campanha de Bolsonaro em 2022

Segundo colunista, analistas identificaram “doadores fantasmas”

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

 

Analistas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontaram em um relatório que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu doações para a campanha de 2022 de CPFs de pessoas já mortas, chamados “doadores fantasmas”. A informação é da colunista Manoela Alcântara, do Metrópoles.

Os dados aparecem em um documento enviado ao ministro Antonio Carlos Ferreira, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), relator do processo de prestação de contas de Bolsonaro.

De acordo com a coluna, ao todo, os analistas indicam que R$ 94 mil devem ser recolhidos ao Tesouro Nacional em razão de irregularidades nas receitas da chapa formada pelo ex-presidente com o general Walter Souza Braga Netto.

Parte das irregularidades identificadas corresponde ao valor de R$ 6.476,99. Desse montante, R$ 6.132,00 foram transferidos a partir de um único CPF em nome de Damião de Araújo Silva, já falecido, cuja situação cadastral está registrada como “cancelada por óbito sem espólio” desde 2018.

As doações que constam em nome de Damião ocorreram no intervalo de sete dias após o primeiro turno das eleições de 2022, somando cinco contribuições de R$ 1.022,00 cada.

Os analistas chegaram a procurar familiares do falecido. O filho de Damião informou que o valor era do patrimônio do espólio, que destinou o dinheiro como forma de homenagem ao pai, que era apoiador de Bolsonaro.

Mesmo com isso, foi constatado que Damião, natural do Amapá, nem sequer chegou a votar nas eleições de 2018, quando Bolsonaro disputou pela primeira vez a Presidência, pois morreu meses antes do pleito.

Outros valores que despertaram os olhares dos analistas, foram 15 doações feitas por pessoas registradas como mortas antes das contribuições. Os depósitos ocorreram entre setembro e outubro de 2022, segundo o monitoramento do TSE.

Mesmo diante das inconsistências apontadas, a área técnica orientou o relator a aprovar as contas da chapa Bolsonaro–Braga Netto com ressalvas. Atualmente, os dois estão presos em razão de investigações e condenações ligadas à tentativa de golpe de Estado, após julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF).