JUSTIÇA


Mendonça diz que sua parte no lucro de instituto será doado à caridade ou irá para dízimo da igreja

Iter comercializa cursos do ministro do STF e faturou R$ 4,8 milhões em contratos públicos em pouco mais de um ano

Foto: Carlos Moura/SCO/STF

 

O ministro do STF, André Mendonça, disse em vídeo que nem ele nem sua família ficarão com qualquer parte do lucro do instituto Iter, fundado em novembro de 2023 pelo magistrado.

Do lucro de Mendonça e sua família, 90% serão destinados à caridade, e o restante irá para a igreja como dízimo. O Iter comercializa cursos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e faturou R$ 4,8 milhões em contratos públicos em pouco mais de um ano.

“Eu, a minha esposa, sob as bênçãos dos meus filhos, decidimos que a nossa parte do Instituto Iter será para a consagração de um altar a Deus”, disse Mendonça em vídeo.

Novo relator do caso Master

O ministro do STF e novo relator do caso Master, André Mendonça, disse a interlocutores que a Polícia Federal terá “carta branca” para investigar. O posicionamento é interpretado pelo entorno de Mendonça como sinalização de que a condução do caso será diferente do que vinha sendo com o ex-relator Dias Toffoli.

Mendonça disse ainda que este é o caso mais importante da sua carreira e vai marcar sua biografia, o que o motiva a conduzi-lo com extrema correção. As informações são do colunista Caio Junqueira, da CNN Brasil.

Toffoli foi pressionado sobre o caso Master

Dias Toffoli foi pressionado para deixar a relatoria do caso Master até esta quinta-feira (12), quando de fato deixou a função. André Mendonça assumiu seu lugar na relatoria do caso Master. De acordo com a colunista Daniela Lima, do portal UOL, o magistrado não sairia da posição por vontade própria, nem seria “empurrado” por pressões da corte ou externas. No entanto, a Polícia Federal pediu a suspeição de Toffoli após encontrar menção do ministro em celular de Vorcaro.

Pesam contra Toffoli informações de que o ministro viajou com advogado do caso Master para Lima, onde assistiu a final da Libertadores entre Palmeiras e Flamengo; o fato de empresas de irmãos de Toffoli terem tido como sócio um fundo ligado a suspeitas no caso Master; e o fato de Toffoli determinar sigilo amplo no processo que envolve Daniel Vorcaro.

Um afastamento de ofício por parte do presidente do STF, Edson Fachin, não tinha apoio majoritário na corte, ainda segundo a colunista Daniela Lima. O motivo era o risco de abrir um “perigoso precedente” que deixaria todos os ministros expostos “ao sabor das pressões políticas”.

Entenda o caso Master

Em setembro, o Banco Central barrou a aquisição do Banco Master pelo BRB, ao apontar a falta de documentos que comprovem a viabilidade econômico-financeira do negócio. Dois meses depois, o controlador do banco, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal e passou a ser investigado por suspeitas de fraudes contra o sistema financeiro, mas foi solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

Segundo a Polícia Federal, o Banco Master teria emitido Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessa de rendimentos de até 40% acima da taxa básica do mercado, retornos considerados irreais pelos investigadores. O esquema pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões. As investigações também analisam a venda de papéis do Banco Master ao BRB.