JUSTIÇA


Júri sobre morte de Mãe Bernadete começa em Salvador sob cobrança por respostas

Caso da líder quilombola assassinada em 2023 mobiliza familiares e entidades; julgamento havia sido adiado

Foto: Jorge Jesus/MundoBA

 

Quase três anos após o assassinato de Mãe Bernadete, teve início nesta segunda-feira (13), em Salvador, o julgamento dos acusados pelo crime. O caso, que envolve uma das principais lideranças quilombolas da Bahia, volta ao centro do debate público diante das circunstâncias da morte e das cobranças por responsabilização completa.

Do lado de fora do Fórum Ruy Barbosa, familiares, representantes de movimentos sociais e organizações acompanharam o início do júri. A presença dos grupos reflete a repercussão do caso e a expectativa em torno do desfecho judicial.

Mãe Bernadete foi morta em agosto de 2023, dentro da associação do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, onde vivia. Ela já havia denunciado ameaças e estava incluída em um programa de proteção a defensores de direitos humanos.

Durante o acompanhamento do julgamento, a diretora-executiva da Anistia Internacional no Brasil, Jurema Werneck, afirmou que o caso expõe falhas na proteção a lideranças e destacou a expectativa por responsabilização ampla. 

Segundo ela, o julgamento pode representar um marco no enfrentamento à impunidade, ao avançar não apenas sobre os executores, mas também sobre eventuais mandantes. “O mundo espera que esse julgamento aqui, seja o início de um ciclo de ruptura com a impunidade, seja um início de um ciclo de ruptura com essa sequência de violações de direitos humanos e de violações de direitos de comunidades tradicionais quilombos. Para nós da Anistia Internacional é fundamental que se responsabilize os executores, mas se responsabilize também quem mandou matar e que se preste conta à sociedade”, disse.

Familiares da vítima acompanham o processo e defendem a conclusão do caso, além do esclarecimento de outros episódios de violência envolvendo a família, como o assassinato de seu filho em 2017.