JUSTIÇA


Gonet afirma que investigações revelam ‘disposição homicida’ em trama golpista

Gonet afirma que investigações revelam ‘disposição homicida’ em trama golpista

Foto: Pedro França/Agência Senado

 

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou nesta terça-feira (11) que as investigações sobre a trama golpista apontam para uma “disposição homicida brutal” por parte dos acusados. A declaração foi feita durante o julgamento do núcleo 3, responsável, segundo a acusação, pela preparação de ações violentas para tentar viabilizar um golpe de estado. Entre os alvos mencionados pela PGR estariam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

Gonet destacou que as provas reunidas confirmam a cadeia de eventos descrita na denúncia e evidenciam que o grupo planejava ataques diretos a autoridades civis e militares que resistissem à ruptura institucional. Essa etapa do julgamento, realizada na Primeira Turma do STF, marca o início da análise dos réus ligados ao chamado núcleo operacional, apontado como responsável por ações táticas do plano golpista.

Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República, o grupo atuava em duas frentes principais: pressionar o Alto Comando do Exército a aderir à tentativa de golpe e articular atentados contra autoridades identificadas como obstáculos ao movimento. O núcleo teria dado execução aos planos concebidos por aliados próximos do então presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em sua sustentação, Gonet também mencionou as reuniões entre os chamados “kids pretos”, consideradas pela PGR como momentos-chave de articulação para buscar apoio entre os comandantes das Forças Armadas. Para o procurador, não há como sustentar que os encontros tinham caráter informal ou recreativo, diante das provas apresentadas. “A explicação de que alguns amigos se encontraram para fins recreativos se desautoriza diante das provas do que foi efetivamente tratado e decidido na ocasião, com seriedade e minúcias”, afirmou.

O julgamento segue ao longo da semana, com votos dos ministros da Primeira Turma e análises sobre possíveis penas e enquadramentos dos réus ligados ao núcleo 3.