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Deputado pede CPI para investigar R$ 49 milhões em pagamentos do governo Jerônimo ao Master

Proposta prevê prazo de 180 dias para apuração dos fatos

Foto: Divulgação/Ascom de Leandro de Jesus

 

O deputado estadual Leandro de Jesus (PL) protocolou, na Assembleia Legislativa da Bahia (Açba), um requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de investigar operações financeiras envolvendo precatórios do Estado pagos a instituições vinculadas ao Banco Master. A proposta prevê prazo de 180 dias para apuração dos fatos.

De acordo com o documento apresentado pelo parlamentar, a CPI pretende investigar as circunstâncias administrativas, financeiras e jurídicas relacionadas às operações de cessão, antecipação e pagamento de precatórios realizadas entre 2023 e 2026 pelo governo estadual.

Segundo o requerimento, dados obtidos no Portal da Transparência indicam que, durante a gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT), o Estado da Bahia realizou ao menos 207 pagamentos a instituições financeiras vinculadas ao Banco Master, somando aproximadamente R$ 49,2 milhões. As transações estariam relacionadas à antecipação de créditos de precatórios.

Na justificativa do pedido, o deputado afirma que a dimensão financeira das operações e o fato de o grupo econômico citado ser alvo de investigações em nível nacional justificam a abertura de uma apuração parlamentar. O banco e empresas associadas são citados em investigações conduzidas por órgãos federais, incluindo a Polícia Federal.

O requerimento também destaca a necessidade de esclarecer se houve contratos ou instrumentos financeiros firmados entre o Estado e instituições ligadas ao grupo econômico, além de analisar o fluxo de recursos públicos envolvidos e eventuais impactos aos cofres estaduais.

Outro ponto levantado pelo parlamentar diz respeito à possível relação dessas operações com precatórios vinculados ao antigo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef). Esses recursos possuem destinação constitucional específica para investimentos em educação e valorização do magistério, entendimento já consolidado pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.

No documento, o deputado argumenta que a antecipação ou cessão desses créditos a instituições financeiras pode gerar questionamentos sobre a legalidade e sobre o respeito ao princípio da vinculação de receitas educacionais.

O texto também contextualiza a presença de operadores financeiros ligados ao grupo econômico do Banco Master em programas estaduais voltados ao funcionalismo público, como o CredCesta, estruturado durante a gestão do então governador Rui Costa (PT). Segundo o parlamentar, esse histórico reforça a necessidade de análise mais ampla das relações institucionais entre o grupo financeiro e o governo estadual.

Caso seja instalada, a CPI poderá convocar autoridades, requisitar documentos e ouvir especialistas para esclarecer as operações realizadas. O objetivo, segundo o requerimento, é garantir transparência e verificar a conformidade das transações com os princípios da legalidade, economicidade e interesse público.