ENTRETENIMENTO


Wagner Moura explica ‘O Agente Secreto’ e faz alerta sobre ditadura em entrevista nos EUA

Indicado ao Oscar, ator traça paralelos entre ditadura brasileira e cenário político atual no país norte americano

Foto: Divulgação/ Victor Jucá

 

Indicado ao Oscar de Melhor Ator por “O Agente Secreto”, Wagner Moura afirmou, em entrevista à revista americana Variety, que o filme dialoga diretamente com o avanço do autoritarismo no mundo atual. Ao comentar a produção dirigida por Kleber Mendonça Filho, o ator traçou paralelos entre a ditadura militar brasileira e o atual ambiente de polarização política nos Estados Unidos.

“Vocês nunca tiveram a experiência de viver sob uma ditadura. Não sabem o que é isso”, afirmou o ator.

No longa, Moura interpreta Armando, um ex-professor perseguido nos anos 1970 que tenta fugir com o filho em meio ao endurecimento do regime militar. Segundo o ator, a narrativa mostra como regimes autoritários se consolidam gradualmente, muitas vezes diante da apatia social. Ele afirmou que o filme nasceu das inquietações dele e do diretor sobre o papel dos artistas em períodos de crise democrática.

“Este é um filme que nasceu de como eu e Kleber nos sentíamos quando o Brasil estava sob esse tipo de governo fascista. De como nos sentíamos sobre nossos papéis como artistas”, disse o baiano.

Durante a entrevista, o ator também demonstrou preocupação com a fragilidade das democracias contemporâneas e com a disseminação de desinformação. Para Moura, a perda de consenso sobre fatos básicos compromete o debate público e enfraquece instituições, que, segundo ele, não têm reagido com a firmeza necessária diante de ataques à democracia.

“Sinto que os Estados Unidos e suas instituições não estão respondendo com a firmeza adequada — estabelecendo limites, fazendo com que as pessoas enfrentem consequências”, concluiu.