ENTRETENIMENTO


Suzane von Richthofen revisita o passado em documentário e apresenta sua versão do crime 

Condenada pelo assassinato dos pais, ela relata infância, conflitos familiares e relação com Daniel Cravinhos em produção ainda sem data oficial de estreia 

Foto: reprodução/ JOTA

Mais de duas décadas após o assassinato dos próprios pais, Suzane von Richthofen, hoje com 42 anos, decidiu revisitar sua história em um documentário inédito de cerca de duas horas. Na produção, ela apresenta sua versão sobre o crime que chocou o país e pelo qual foi condenada a 39 anos de prisão, pena que atualmente cumpre em regime aberto. 

As informações foram divulgadas pela coluna ‘True Crime’, de Ullisses Campbell, do jornal ‘O Globo’. O longa teve apenas uma pré-estreia restrita na Netflix e ainda não possui data oficial de lançamento. No filme, Suzane começa o relato pela infância, descrevendo o ambiente familiar como frio, sem afeto e marcado por cobranças constantes. 

Segundo ela, o desempenho escolar era uma exigência permanente. “Eu vivia estudando. Era só nota alta. Tirava 9 e 10 em todas as matérias. Não tinha demonstração de amor”, afirmou. Ao falar dos pais, descreveu o pai como distante e a mãe como alguém que demonstrava carinho de forma esporádica. 

Suzane também relata episódios de conflito dentro de casa, incluindo uma cena de violência que teria presenciado ainda criança. De acordo com seu depoimento, o relacionamento entre os pais era conturbado e havia pouca comunicação, inclusive sobre temas pessoais. “Eu nunca conversei sobre sexo com a minha mãe. Nenhuma vez”, disse. 

Com o passar do tempo, ela afirma que o distanciamento aumentou, levando-a a criar, junto com o irmão Andreas, um vínculo isolado dos pais. “Era um refúgio nosso dentro de casa”, relatou. No documentário, Suzane sustenta que a família vivia uma ruptura emocional, cenário que, segundo sua narrativa, abriu espaço para a entrada de Daniel Cravinhos em sua vida. 

O crime ocorreu em 31 de outubro de 2002, quando Manfred e Marísia von Richthofen foram mortos a pauladas. A ação foi executada pelos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos, com planejamento atribuído à filha do casal. No filme, Suzane tenta se distanciar da execução direta, embora reconheça sua responsabilidade. “Eu aceitei. Eu os levei para dentro da minha casa. A culpa é minha”, afirmou. 

Ela relata que o relacionamento com Daniel intensificou os conflitos familiares e a levou a viver uma rotina de mentiras. Segundo seu depoimento, escondida dos pais, passou a frequentar outros ambientes e experimentar um estilo de vida que descreve como libertador. A situação teria se agravado após um período em que os pais viajaram para a Europa, momento que ela define como decisivo. 

No documentário, Suzane afirma que a ideia do crime surgiu gradualmente, sem discussões explícitas no início. Sobre a noite do assassinato, diz que não participou diretamente da execução, mas admite que tinha conhecimento do que aconteceria. Ela descreve seu estado emocional como dissociado, comparando-se a um “robô, sem sentimento”. 

A produção também traz momentos de contestação. Em um deles, a delegada Cíntia Tucunduva relembra que Suzane foi encontrada em uma festa na casa da família após o crime. Suzane nega essa versão, alegando que o local ainda apresentava marcas evidentes da violência. 

Com o título provisório “Suzane vai falar”, o documentário já circula entre fãs de true crime nas redes sociais. Além do passado, o filme aborda a vida atual de Suzane, incluindo seu relacionamento com o médico Felipe Zecchini Muniz e cenas do cotidiano familiar, com a presença das filhas dele e do filho pequeno de Suzane. 

Ao final, ela tenta se distanciar da própria história. “Aquela Suzane ficou no passado. A sensação é que ela morreu junto com os meus pais”, declarou. Apesar disso, reconhece que ainda convive com o peso da exposição pública e da repercussão do caso.