ENTRETENIMENTO


PF aponta repasses de R$ 31 milhões a Alexandre Pires em investigação sobre cassiterita 

Cantor foi alvo de duas fases da Operação Disco de Ouro; defesa afirma que relação com empresário investigado era exclusivamente profissional 

Foto: Youtube/Alexandre Pires

Documentos obtidos pela coluna apontam que o cantor de pagode Alexandre Pires teria recebido mais de R$ 31 milhões de empresas investigadas por envolvimento em um esquema de comercialização ilegal de cassiterita, segundo informações da Polícia Federal (PF). 

De acordo com a investigação, o esquema teria movimentado e ocultado mais de US$ 48 milhões, valor estimado em cerca de R$ 246 milhões. 

Os documentos analisados pela PF indicam que Alexandre Pires teria recebido R$ 26,6 milhões da empresa Metalsur. Segundo os investigadores, a companhia recebeu US$ 20,4 milhões, aproximadamente R$ 98,4 milhões na cotação da época, em um pagamento feito pela empresa suíça Gerald Metals Sarl por um carregamento de cassiterita. 

Ainda conforme a investigação, o minério não teria sido entregue. A empresa suíça teria recebido, no lugar da carga, um caminhão de brita. 

Outros R$ 4,4 milhões teriam sido repassados ao cantor pela empresa, conforme informações apresentadas à PF por duas colaboradoras premiadas, que teriam comprovado as transferências. 

Operação Disco de Ouro 

Alexandre Pires foi novamente alvo da Operação Disco de Ouro na quarta-feira (23), quando agentes da Polícia Federal cumpriram mandados de busca e apreensão no âmbito da segunda fase da investigação. O cantor já havia sido alvo da primeira fase da operação, deflagrada em dezembro de 2023. 

Na primeira etapa da ação, a PF apontou que o artista teria recebido cerca de R$ 1 milhão relacionado à empresa investigada. Na ocasião, o celular do cantor foi apreendido.  

A investigação também cita um depósito de R$ 375 mil na conta pessoal de Alexandre Pires, além de uma transferência de R$ 160 mil realizada pela empresa do cantor para um dos investigados. 

Defesa nega ligação com esquema 

Em nota divulgada na quarta-feira (23), a defesa de Alexandre Pires afirmou que a relação profissional mantida pelo cantor com o empresário Matheus Possebon, irmão de Diego Possebon, apontado pela investigação como líder do esquema, era restrita à intermediação de shows. 

Segundo os advogados, não existiu qualquer outra relação jurídica ou comercial entre o cantor e Matheus Possebon além das atividades relacionadas à carreira artística de Alexandre Pires. 

A defesa declarou: “Não houve qualquer outra relação jurídica ou comercial entre Alexandre Pires e Matheus Possebon além daquela diretamente ligada à atividade artística do cantor.”