ENTRETENIMENTO


PF aponta áudio que ligaria MC Ryan SP a esquema de lavagem de dinheiro 

Conversas com suspeito de atuar para o PCC indicariam conhecimento sobre compra de imóvel e proteção patrimonial 

Foto: reprodução/ DM

A Polícia Federal (PF) utilizou diálogos entre um suposto operador de MC Ryan SP e um homem apontado como “contador” do Primeiro Comando da Capital (PCC) para sustentar que o funkeiro teria conhecimento de práticas de blindagem patrimonial e da aquisição de um imóvel avaliado em R$ 1,4 milhão, sob suspeita de lavagem de dinheiro. 

Ryan Santana dos Santos foi preso na última quarta-feira (15), durante a Operação Narco Fluxo. Segundo a PF, o artista é investigado por liderar uma organização criminosa voltada à lavagem de recursos do crime organizado por meio de produtoras musicais. As movimentações financeiras do grupo podem ter alcançado ao menos R$ 1,6 bilhão. 

A apuração é um desdobramento de uma investigação anterior, iniciada em maio de 2025, quando o empresário Rodrigo Morgado passou a ser apontado como responsável por estruturar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico internacional de drogas do PCC. O modelo envolveria o uso de casas de apostas promovidas por influenciadores digitais. 

Com a quebra de sigilo telemático de Morgado, os investigadores identificaram conversas com Tiago de Oliveira, indicado como operador ligado ao funkeiro. Em um dos áudios citados, Morgado orienta que um imóvel supostamente destinado a Ryan não fosse registrado em nome do artista, mas sim em uma holding, como forma de “proteção patrimonial”. 

“Tiago, aqui nós não brinca em serviço não, meu amigo. Todas as certidões aí na mão, fechou? Agora a gente pode comprar o imóvel tranquilo. Vamos para cima. Agora eu vou assinar o contrato. E depois de assinar o contrato, o registro pelo cartório eu faço aqui, tá? Só que, ó, não coloca no nome do Ryan. Não põe o nome do Ryan, vamos pôr o nome da holding. Proteção patrimonial, lembra que eu te falei aquele dia”, disse Morgado. 

Outro ponto destacado pela PF é a forma de pagamento do imóvel. De acordo com o contrato analisado, R$ 1,1 milhão, cerca de 78% do valor total, seriam quitados por meio da entrega de veículos por uma empresa. Para os investigadores, esse tipo de transação, com estrutura considerada atípica, pode indicar tentativa de ocultação de valores e reforça as suspeitas de irregularidades na aquisição. 

“Referida negociação, na forma em que entabulada, apresenta indícios veementes de aquisição do imóvel de maneira irregular, ao dispor de uma estrutura de pagamento complexa, com sinais de ocultação de valores, isso por intermédio de dação em pagamento de elevado valor em veículos”, diz a PF.