ENTRETENIMENTO


Michel Portal, pioneiro do jazz europeu e da música experimental, morre aos 90 anos 

Multi-instrumentista francês transitou entre o repertório clássico, a improvisação e trilhas para cinema ao longo de mais de seis décadas  

Foto: Reprodução/Correio

O multi-instrumentista francês Michel Portal morreu neste domingo (15), aos 90 anos. Considerado um dos principais nomes do jazz e da música contemporânea na Europa, ele teve a morte confirmada por veículos públicos franceses, como a rádio France Musique, que lamentou a perda nas redes sociais. A empresária Marion Piras, responsável por sua agenda, não informou a causa. 

Nascido em Bayonne, em 1935, Portal construiu uma carreira marcada pela versatilidade. Clarinetista de formação, também se destacou no saxofone e no bandoneon, transitando com naturalidade entre o jazz, a música erudita e a experimentação sonora. Ao longo de décadas, apresentou-se em concertos clássicos, festivais contemporâneos e projetos de improvisação. 

Formado pelo Conservatório de Paris, onde recebeu o primeiro prêmio em clarinete em 1959, estudou direção musical com Pierre Dervaux e obteve distinções em concursos internacionais, como o de Genebra, em 1963. Sua sólida base acadêmica não o afastou da inovação: ele se tornou conhecido justamente por romper fronteiras entre linguagens musicais. 

Descrito pela Opéra National de Bordeaux como um artista “singular” e “inclassificável”, Portal interpretou desde compositores clássicos, como Wolfgang Amadeus Mozart e Johannes Brahms, até obras de nomes centrais da vanguarda do século 20, como Pierre Boulez, Karlheinz Stockhausen e Luciano Berio. 

Também foi um dos fundadores do grupo de improvisação New Phonic Art, voltado à experimentação coletiva, e mais tarde criou o Michel Portal Unit, dedicado ao intercâmbio entre músicos europeus e norte-americanos. Paralelamente, compôs trilhas para cinema e televisão.  

Ao longo de mais de 60 anos de carreira, recebeu distinções importantes, entre elas o Grand Prix National de la Musique. Instituições como a Philharmonie de Paris destacam sua contribuição histórica ao free jazz europeu e à aproximação entre a tradição erudita e a improvisação contemporânea.