ENTRETENIMENTO


Hollywood reage a megafusão: artistas se mobilizam contra acordo entre Paramount e Warner 

Manifesto assinado por cerca de mil profissionais alerta para risco de demissões, aumento de custos e menor diversidade no setor audiovisual 

Foto: Logodix

Cerca de mil nomes influentes de Hollywood, entre atores, atrizes, diretores e roteiristas, tornaram público um manifesto contrário à possível aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance, negociação que ganhou força nas últimas semanas. 

Recentemente, a Paramount iniciou conversas para levantar aproximadamente US$ 24 bilhões junto a pelo menos três fundos soberanos, liderados pela Arábia Saudita, com o objetivo de viabilizar a compra do conglomerado responsável por marcas como HBO, CNN e o estúdio Warner Bros. 

No documento, os profissionais do setor demonstram preocupação com os impactos da fusão. Segundo eles, a operação pode resultar em cortes significativos de empregos, aumento de custos de produção e distribuição, além de reduzir as alternativas disponíveis tanto no streaming quanto nas salas de cinema. 

O texto destaca que a união das empresas ampliaria ainda mais a concentração de poder no mercado de mídia, já considerado altamente concentrado. “Essa transação colocaria ainda mais controle nas mãos de poucos grupos, diminuindo a concorrência em um momento delicado para a indústria e para o público”, afirma a carta, assinada por nomes como Joaquin Phoenix, Glenn Close e Adam McKay. 

Os signatários também alertam para consequências diretas na cadeia produtiva: menos oportunidades para criadores, redução de postos de trabalho e encarecimento do acesso a conteúdos audiovisuais em escala global. 

No manifesto, o grupo afirma que fará uma “oposição inequívoca” à concretização do negócio, que ainda será avaliado por órgãos reguladores nos Estados Unidos, no Reino Unido e na União Europeia. 

A disputa pela Warner já vinha se desenhando desde o ano passado. Em dezembro, o empresário Larry Ellison, CEO da Oracle, declarou que ofereceria uma garantia pessoal de US$ 40,4 bilhões para fortalecer a proposta da Paramount, estimada em US$ 108,4 bilhões, superando uma oferta concorrente da Netflix. Segundo Ellison, o aporte seria “irrevogável” e baseado em capital próprio.