ENTRETENIMENTO


Agnès Varda e Sara Gómez ganham retrospectivas no XXI Panorama Internacional Coisa de Cinema

Com trajetórias e olhares diferentes, as cineastas foram marcadas por pioneirismo e pela inovação narrativa e estética

Foto: assessoria

 

As cineastas Agnès Varda e Sara Gómez terão mostras retrospectivas no XXI Panorama Internacional Coisa de Cinema, que acontece de 25 de março a 1º de abril em Salvador, e entre os dias 25 e 29 de março em Cachoeira. Com trajetórias diferentes, mas igualmente marcadas por inovação estética e pioneirismo, as diretoras ampliaram possibilidades narrativas e contribuíram para a afirmação de olhares femininos no cinema.

Belga radicada na França, Agnès Varda realizou obras de ficção, documentário e autobiografia, do pós-guerra até sua morte, em 2019, aos 90 anos. Em uma época em que poucas mulheres dirigiam filmes, ela estreou com “A ponte curta” (1955), obra que antecipa características da Nouvelle Vague, movimento do qual se tornou um nome central e o único feminino.

Outro marco da carreira da cineasta é “As criaturas” (1966), no qual ela aprofunda a investigação sobre os limites entre realidade e ficção. O longa-metragem ganhou o Urso de Prata no Festival de Berlim, um prêmio especial do júri. Outro experimento híbrido presente na mostra é “Jane B. por Agnès V.” (1988), um filme que mistura entrevista e encenação para construir um retrato da atriz e cantora Jane Birkin.

Defensora do cinema independente e da liberdade criativa, Agnès Varda recebeu três importantes prêmios honorários pelo conjunto da obra: uma Palma de Ouro em Cannes (2015), um Leão de Ouro em Veneza (2017) e um Oscar em 2017. A mostra em sua homenagem também exibirá “As cento e uma noites” (1995), “Kung-Fu Master!” (1988) e “Os renegados” (1985).

Sara Gómez e as transformações em Cuba

A retrospectiva dedicada à cubana Sara Gómez traz versões restauradas de obras que abordam as transformações sociais ocorridas em Cuba no período pós-revolução. Seu olhar revela um cinema atento ao cotidiano, à cultura afro-cubana e à participação das mulheres na sociedade. A cineasta morreu precocemente, aos 31 anos, mas realizou cerca de 20 filmes e virou referência no cinema político latino-americano.

Em 1974, Sara tornou-se a primeira mulher a dirigir um longa de ficção no país: o híbrido “De Certa Maneira” (1977), que integra a mostra. O filme faz uma abordagem inovadora ao discutir relações afetivas, classe e mudanças na sociedade a partir de um operário e uma professora, moradores de um bairro popular de Havana. A programação tem ainda 14 documentários de curta-metragem realizados pela diretora entre 1964 e 1977.

Entre os destaques estão “Guanabacoa: Crônicas de Minha Família” (1966), uma obra pioneira no gênero de documentários autobiográficos. No curta, ela explora suas raízes familiares por meio de fotos, da música popular e dos contos das mulheres. O olhar sobre a população feminina de Cuba também é central em “Minha Contribuição” (1969), ensaio crítico sobre o papel das mulheres em uma sociedade em transformação.

As mostras em homenagem a Agnès Varda e Sara Gómez serão exibidas no Cine Glauber Rocha, em dias e horários que serão anunciados em breve.

O Panorama Internacional Coisa de Cinema tem patrocínio do Instituto Flávia Abubakir e apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia.