ELEIÇÕES


PT vai insistir na candidatura de Fernando Haddad em SP, afirma colunista

Sem 'Plano B', partido quer que ministro vá para o 'sacrifício' contra Tarcísio

Foto: Ricardo Stuckert/PR

 

O presidente Lula e o PT não têm plano B para a disputa do governo de São Paulo, e querem que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vá para o sacrifício em 2026, mesmo sabendo que deve perder a eleição caso o candidato seja o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que pode tentar a reeleição. A informação é da coluna de Julia Duailibi, do portal g1.

Tarcísio tem a máquina pública na mão, popularidade na casa dos 60% e, a seu favor, a histórica trincheira antipetista do interior paulista — barreira que o PT não supera desde 1982.

O partido já disputou eleições para o governo de SP com Lula, Eduardo Suplicy, Plínio de Arruda Sampaio, Marta Suplicy, José Dirceu, José Genoino, Alexandre Padilha, Luiz Marinho e o próprio Haddad. Todos perderam.

Segundo a coluna, a avaliação é que, como há problemas em vários outros estados, a começar por Minas Gerais, que não tem um palanque ainda definido e Lula precisa correr atrás do senador Rodrigo Pacheco (PSD) para convencê-lo a concorrer ao governo do estado, o PT não pode correr nenhum risco em São Paulo.

Haddad foi para o segundo turno com Tarcísio em 2022 e ganhou na cidade de São Paulo. Para o PT, a derrota dele em 2026, que é o cenário mais provável visto pelas lideranças do partido, seria uma derrota que não coloca a candidatura presidencial de Lula em risco.

Um aliado de Lula disse que, em 2022, o petista venceu a eleição nacional por uma margem de 2 milhões de votos, mas perdeu em São Paulo por 2,6 milhões. Se a derrota no estado tivesse sido mais ampla, o projeto presidencial teria naufragado.

A missão de Haddad, portanto, é repetir o desempenho de 2022: ir ao segundo turno, vencer na capital e segurar a diferença para garantir a vitória nacional de Lula. Qualquer outro nome poderia sofrer uma derrota acachapante que contaminaria a votação presidencial.

Temor de aliados 

Aliados de Haddad, por outro lado, temem que o ministro saia queimado de mais uma derrota, porque ele é o candidato à sucessão de Lula em 2030, caso o presidente seja reeleito neste ano.

O raciocínio desse grupo é que Haddad já perdeu para Tarcísio em 2022. Uma nova derrota em 2026 daria discurso para o adversário em uma eventual disputa presidencial em 2030, carimbando Haddad como “freguês”.

A resposta dos aliados de Lula é que o cenário de Haddad candidato em 2030 só existe se houver vitória de Lula em 2026. Para o núcleo duro do governo, cada eleição é uma eleição. Se Lula for reeleito, a tendência é que Haddad assuma um posto de alta visibilidade, como a Casa Civil, uma vitrine para trabalhar seu nome para 2030.

Geraldo Alckmin deve ser candidato a vice na chapa da reeleição de Lula. Simone Tebet, que era uma opção, pode ser candidata ao Senado. E Alexandre Padilha deve continuar no Ministério da Saúde – quando ele disputou o governo de SP, em 2014, ficou em terceiro lugar.