ELEIÇÕES


Lula lidera intenções de voto com 47% entre mulheres chefes de família; Flávio registra 27% no segmento

País possui 42,1 milhões de lares chefiados por mulheres em 2026, proporção que significa maioria

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil e Lula Marques/ Agência Brasil

O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registra 47% das intenções de voto entre as mulheres chefes de família, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) contabiliza 27%. O levantamento recente do DataFolha, lançada na última quinta-feira (17), indica que o petista mantém uma vantagem de nove pontos percentuais no eleitorado feminino geral.

No eleitorado masculino, Flávio Bolsonaro possui dois pontos a mais do que Lula. As mulheres que comandam seus lares somam 30% da amostra da pesquisa, cuja margem de erro para este grupo é de quatro pontos percentuais.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) atualizados para a Folha pela pesquisadora Janaína Feijó, da FGV, revelam que o Brasil possui 42,1 milhões de lares chefiados por mulheres em 2026. Em 2012, esse número totalizava 21 milhões, o equivalente a 35% das residências.

Atualmente, 52,4% das casas têm uma mulher como referência financeira, com maior representatividade de mulheres negras e de baixa escolaridade. A proporção de mulheres no comando financeiro superou a dos homens em 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro (PL).

“A gente observa que aquele arranjo tradicional familiar foi perdendo espaço no cenário brasileiro”, afirma Janaína Feijó. A pesquisadora acrescenta que “há uma evolução na percepção de que cada arranjo familiar decide o que é melhor para si”.

Apesar de serem maioria entre os eleitores, as mulheres registram taxa de ocupação de 53,5%, ante 73% dos homens, segundo o Relatório Anual Socioeconômico da Mulher de 2026. No segundo trimestre deste ano, a taxa de desemprego feminino ficou 1,8 ponto percentual acima da masculina.

Esse diferencial de desemprego já atingiu 3,6 pontos em 2018 e 4 pontos em 2022, enquanto homens mantêm rendimento médio 25% superior. Por outro lado, 19% das eleitoras possuem ensino superior, contra 14% dos eleitores masculinos.

A professora Ana Fava, da Universidade Federal do ABC (UFABC), avalia que as disparidades decorrem da ideia de que certas profissões não pertencem às mulheres. “A política também tem papel importante na mudança cultural”, declara Fava ao defender maior equidade nas tarefas domésticas.

Em Olinda (PE), a comerciante Jacqueline Menezes, de 44 anos, sustenta a família com a venda de doces e salgados após deixar o Bolsa Família há cerca de quatro anos. Ela demonstra simpatia por Renan Santos (Missão) e descarta o voto no candidato petista em um eventual segundo turno.

“Eu tento olhar o que eles estão oferecendo pra gente que é empreendedor”, relata Jacqueline sobre o grupo político. Ao criticar impostos e a falta de apoio ao setor, ela completa sobre uma nova candidatura de Lula (PT): “Já votei nele e não vi nada. Continua a mesma coisa ou pior”.

Moradora de Contagem (MG), a pedagoga Renata Nunes, de 52 anos, formou-se pelo ProUni e trabalha em uma empresa de segurança. Ela confirma voto em Lula (PT): “Muita coisa melhorou em relação à educação, ao acesso ao mínimo, à vacinação”.