ELEIÇÕES


Lula e Flávio protagonizam debate com ataques e troca de provocações; veja principais pontos

Candidatos trocaram acusações de corrupção no primeiro encontro do segundo turno, na Band, neste domingo

Imagem: Reprodução/Band

 

Os presidente Lula (PT), candidato à reeleição, e o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) protagonizaram neste domingo (18) série de ataques e mais provocações do que proposta no primeiro debate do segundo turno da eleição presidencial, promovido pela Band. Foi o primeiro encontro entre os dois, que faltaram aos debates do primeiro turno.

Os candidatos se acusaram mutuamente de mentir, e Lula cobrou do adversário, repetidas vezes, explicações sobre os R$ 134 milhões pedidos ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Flávio terminou o primeiro turno com 47% dos votos válidos, ante 45% de Lula.

Veja abaixo alguns dos principais momentos do encontro:

Troca de acusações e corrupção

Flávio Bolsonaro iniciou o debate citando a lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Em entrevista à CNN Brasil, ela havia afirmado que o filho do presidente se reunia frequentemente com ministros do governo.

Lula respondeu que Roberta é “um problema da Polícia Federal” e afirmou que seu filho prestará depoimento e “não vai se esconder”. Em seguida, mencionou o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. “Seu irmão está foragido nos EUA tramando contra o Brasil”, disse.

O presidente também cobrou explicações de Flávio sobre os R$ 134 milhões que ele teria pedido ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar Dark Horse, filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. “O que você fez com esse dinheiro? É só explicar. Onde você colocou esse dinheiro?”, questionou.

Lula ainda citou episódios envolvendo o passado do senador, como a atuação dele como advogado do PM Bruno Delaroli, acusado de matar Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos, em 2021. Também mencionou a homenagem concedida por Flávio a Adriano da Nóbrega, apontado como chefe do Escritório do Crime, e a contratação de familiares do miliciano em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Outro ponto levantado pelo presidente foi o apoio do senador a um projeto de lei que eliminaria a exigência de marcação de munições, medida que dificulta o rastreamento.

Flávio afirmou que Lula recebeu mais votos entre presidiários. “Oh, Lula, com você, a criminalidade explodiu no Brasil. Inclusive, você pode explicar por que 73% dos presidiários votaram em você?”, indagou. O presidente respondeu com ironia: “Eu quero que votem 100%, até teu pai. Até teu pai. […] Teu pai pode votar em mim […] porque ele te conhece. Ele te conhece. E ele sabe que eu sou melhor do que você. Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado e não pode votar. No Brasil, apenas presos provisórios têm direito ao voto.

Em outro momento, Flávio convidou Lula a ficar ao lado dele para conversarem, mas o presidente recusou. “Não quero ficar perto de você. Da família Bolsonaro eu quero distância. De miliciano eu quero distância”, afirmou.

“No meu mundo, ninguém se esconde. No meu mundo a coisa é só apurada. Eu não sou um pai que protege o filho como você foi protegido pelo seu pai”, disse Lula.

Flávio rebateu: “Eu estou sem carteira aqui, você não vai poder me roubar. Sabe quantas pessoas aqui já foram condenadas ou presas por corrupção e lavagem de dinheiro? Só você”.

Lulinha e INSS

Flávio Bolsonaro voltou a questionar Lula sobre Roberta Luchsinger, investigada junto com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente. O senador também afirmou que o chamado careca do INSS integrou o governo Lula e pagou o filho do presidente. Em seguida, perguntou por que Lulinha está na Espanha.

Lula respondeu que o caso envolvendo Luchsinger está sob investigação da Polícia Federal e afirmou que o filho disponibilizou a conta bancária e o telefone para apuração. “Eu não sou um pai que protege o filho como você foi protegido pelo seu pai”, declarou.

O presidente também afirmou que o esquema de fraudes nos descontos do INSS foi montado durante o governo Jair Bolsonaro.

No terceiro bloco, Lula desafiou Flávio a abrir os sigilos bancário e telefônico das duas famílias e entregar os dados aos presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) antes da eleição. “Ao invés de ficar falando que é honesto, prove que é honesto”, disse.

Flávio respondeu que não tem nada a esconder, mas voltou a acusar Lula de movimentar dinheiro por fora.

Segurança pública

Flávio prometeu declarar guerra ao narcoterrorismo caso seja eleito, classificar facções criminosas como organizações terroristas e aumentar as penas para líderes de grupos criminosos. Também afirmou que pretende recuperar os territórios ocupados pelo crime organizado, mas não detalhou como pretende executar a medida.

O senador defendeu a castração química de estupradores e a redução da maioridade penal. Na área de monitoramento, propôs criar o programa “Smart Brasil”, inspirado no Smart Sampa, da Prefeitura de São Paulo, com câmeras para identificar criminosos nas ruas.

Lula, por sua vez, defendeu a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e a criação de um Ministério da Segurança Pública para coordenar ações entre a União, os governos estaduais e as prefeituras.

O presidente também citou o programa Celular Seguro, voltado à proteção de aparelhos em casos de roubo ou furto, e defendeu a ampliação das escolas em tempo integral como alternativa ao encarceramento precoce de jovens.

“A partir de janeiro do ano que vem, eu vou declarar guerra ao narcoterrorismo. Quem vai andar com medo na rua são eles”, afirmou Flávio.

“Para o trabalhador e para a comunidade, proteção. Para o bandido, prisão. Vai ser assim quando aprovar a PEC da Segurança”, declarou Lula.

SUS

Flávio propôs adotar o chamado “Padrão Einstein” no SUS (Sistema Único de Saúde). O médico Claudio Lottenberg, ex-presidente do hospital Albert Einstein, foi anunciado como ministro da Saúde em um eventual governo do senador.

Entre as medidas apresentadas, Flávio defendeu a criação de um prontuário eletrônico unificado, vinculado ao CPF dos pacientes, para facilitar o acesso ao histórico médico e o encaminhamento para consultas, inclusive por telemedicina.

Lula criticou a condução da pandemia de covid-19 pelo governo Jair Bolsonaro e citou as mais de 700 mil mortes registradas no país, além do atraso na entrega de vacinas. Flávio admitiu que a saúde não foi uma das áreas com melhor desempenho na gestão do pai, mas afirmou que Lula recebeu vacinas compradas durante aquele governo.

O presidente também questionou se a proposta de adotar o “Padrão Einstein” poderia abrir caminho para a privatização do SUS. Em contraponto, defendeu a expansão do Mais Médicos, a recuperação dos hospitais federais do Rio de Janeiro por meio de parcerias, a oferta gratuita de medicamentos de uso contínuo e a definição de metas para agilizar diagnósticos de câncer.

“Aquele mesmo atendimento com tecnologia, com médicos, com hora marcada, sem fila, que tem na rede privada, eu quero levar para o SUS. […] O SUS vai ser padrão Einstein, porque você merece”, afirmou Flávio.

“Eles tiveram uma experiência de quatro anos e foi o maior desastre da história desse país. 716 mil pessoas morreram por irresponsabilidade do governo, que poderia ter evitado metade das mortes se ouvissem a ciência”, disse Lula.

Economia

Flávio Bolsonaro prometeu congelar por seis meses as dívidas de pessoas físicas e por um ano as de empresas. Também propôs criar o Ministério da Prosperidade e afirmou que manterá o Bolsa Família caso seja eleito. O senador acusou Lula de gastar R$ 350 bilhões para tentar se reeleger.

Lula afirmou que a inflação dos alimentos foi menor em seu governo do que na gestão de Jair Bolsonaro e questionou se o adversário pretende adotar o modelo econômico do presidente argentino Javier Milei. Na Argentina, a pobreza voltou a crescer recentemente. Flávio respondeu que pretende fazer um “tesouraço na corrupção”.

O senador também explicou seu voto favorável ao fim da escala 6×1 e disse ter mudado de posição após ouvir trabalhadores. Lula rebateu, afirmando que o adversário “conhece trabalhador por literatura” e nunca trabalhou.

EUA

Lula acusou Flávio Bolsonaro e aliados de articularem, no exterior, ações contra as instituições brasileiras. O presidente também citou um míssil inflável levado a uma manifestação bolsonarista na avenida Paulista, neste domingo, com uma mensagem que pedia ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um ataque nuclear contra o Brasil.

“O que vocês estão fazendo é trair a pátria”, afirmou Lula.

O presidente ainda acusou o senador de pressionar os Estados Unidos a impor tarifas sobre produtos brasileiros e de pretender entregar terras raras brasileiras aos americanos. Também questionou a relação de Flávio com o presidente argentino, Javier Milei.

O candidato do PL, por sua vez, criticou os vínculos do governo Lula com regimes de esquerda que considera autoritários.

Ao abordar a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, Lula afirmou: “O seu irmão [Eduardo Bolsonaro] está foragido nos Estados Unidos tramando contra o Brasil, pedindo intervenção do Trump no Brasil”.

Fim da escala 6×1

Lula questionou a mudança de posição de Flávio Bolsonaro, que votou a favor do fim da escala 6×1 no Senado após se posicionar contra a proposta. O senador afirmou que mudou de opinião depois de ouvir trabalhadores. O presidente ironizou a postura do adversário e disse que ele “conhece trabalhador por literatura” e nunca trabalhou.