ELEIÇÕES


Lula amplia alianças e PT terá candidatos ao governo em apenas 12 estados e no DF 

Estratégia prioriza palanques competitivos, amplia apoio a partidos aliados e concentra esforços na disputa pelo Senado nas eleições de 2026. 

Foto: Feijão Almeida/GOVBA

Em busca de fortalecer sua candidatura à reeleição e ampliar a base de apoio nos estados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) definiu uma estratégia que reduz o número de candidaturas próprias ao governo estadual. Nas eleições de 2026, o PT lançará candidatos em apenas 12 estados e no Distrito Federal, enquanto apoiará nomes de partidos aliados nas demais unidades da Federação. 

Com a decisão, Lula se torna o único pré-candidato à Presidência com palanques organizados em todos os estados. Fora das candidaturas petistas, o partido fechou alianças com siglas como PDT, PSB, PSD, MDB, PP e União Brasil, buscando fortalecer a campanha presidencial e ampliar a governabilidade em um eventual novo mandato. 

Mudança consolida estratégia adotada pelo PT 

A redução no número de candidatos próprios representa uma mudança em relação às primeiras décadas do partido. Nos anos 1990, o PT costumava lançar um grande número de candidatos a governador para fortalecer sua presença como principal força de oposição e ampliar sua influência política. 

A estratégia começou a mudar em 2002, quando Lula disputou a Presidência com chances reais de vitória. Naquele ano, o partido priorizou alianças estaduais para construir palanques robustos, repetindo a fórmula nas eleições seguintes. 

Depois de voltar a ampliar o número de candidaturas em 2014, o PT passou novamente a reduzir a quantidade de postulantes ao governo estadual. 

Evolução das candidaturas do PT aos governos estaduais 

* 2022: 13 candidatos e 4 vitórias; 

* 2018: 16 candidatos e 4 vitórias; 

* 2014: 17 candidatos e 5 vitórias; 

* 2010: 10 candidatos e 4 vitórias; 

* 2006: 11 candidatos e 5 vitórias; 

* 2002: 10 candidatos e 3 vitórias; 

* 1998: 16 candidatos e 3 vitórias; 

* 1994: 19 candidatos e 2 vitórias; 

* 1990: 16 candidatos e nenhuma vitória. 

Segundo dirigentes petistas, o foco para 2026 é manter os governos já administrados pelo partido, garantir a reeleição de Lula e ampliar as bancadas governistas no Congresso Nacional. 

Senado passa a ser prioridade 

Outro objetivo central da estratégia é aumentar a representação da base aliada no Senado Federal. Com 54 cadeiras em disputa, o PT pretende concentrar esforços na eleição de senadores alinhados ao governo. 

A avaliação da direção nacional é que uma bancada entre 25 e 30 senadores governistas poderá oferecer maior estabilidade política e facilitar a aprovação de projetos em um eventual quarto mandato de Lula. 

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que a eleição para o Senado será uma das disputas mais importantes de 2026. 

“Para o bem da democracia brasileira, é fundamental que a gente faça maioria no Senado e impeça que esse pensamento autoritário eleja a maioria dos senadores nas eleições de 2026”, declarou. 

Alianças estaduais 

Além das candidaturas próprias, o PT definiu apoio a partidos aliados em diversos estados. Na esquerda, a legenda apoiará candidatos do PDT no Rio Grande do Sul e no Paraná, e do PSB em Santa Catarina, Pernambuco e Acre. 

Em Alagoas e no Pará, o partido apoiará candidatos do MDB, enquanto na Paraíba o apoio será ao PP. Já no Amapá, o PT estará ao lado de um candidato do União Brasil, legenda que integra a Federação União Progressista, que decidiu permanecer neutra na disputa presidencial. 

Ao comentar a estratégia de composição dos palanques estaduais, Lula defendeu a construção de alianças para além do campo tradicional da esquerda. 

“Não se faz composição apenas com quem você gosta. Quem você gosta já está com você. Você tem que fazer composição com as pessoas que pensam diferente, mas que são capazes de construir minimamente um projeto para um estado ou para o país”, afirmou o presidente.