ELEIÇÕES


Em largada, Lula foca em mulheres, promete prender líderes de facções e defende soberania

Presidente fez primeiro ato de campanha à reeleição, no estádio Primeiro de Maio, em São Bernardo do Campo

 

Foto: Ricardo Stuckert

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou oficialmente sua campanha à reeleição neste domingo (16), em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, onde apostou no passado político, evocou Deus e defendeu a soberania nacional em meio à escalada das tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.

“Eu estou muito agradecido a vocês, e a lembrança deste estado pra mim é maravilhosa. É inesquecível o que eu vivi aqui”, iniciou ele no estádio Primeiro de Maio. Lula discursou por mais de 30 minutos.

O evento deu destaque às mulheres, com participações da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, e de aliadas do presidente, como as ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), candidatas ao Senado por São Paulo. A ex-primeira-dama Marisa Letícia, morta em 2017, também foi lembrada por Janja e Lula.

O presidente recorreu à emoção ao relembrar sua trajetória política. Um vídeo exibido no evento mostrou o “Lula do passado” conversando com o atual presidente. “Aguenta companheiro, que a democracia vai vencer.” Na sequência, o vídeo apresentou a frase: “Aqui, em 2026, a gente reconstruiu o Brasil e quer mais”, com imagens da greve de 1979 na Vila Euclides.

No palco, Lula apresentou o slogan “O Brasil pronto para mais”, acompanhado do lema “Onde tudo começou”. Ao lado dele estavam o candidato a vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), o candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), Janja e outros aliados.

O petista retomou a promessa de criar o Ministério da Segurança Pública. O presidente lembrou uma conversa recente com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e afirmou que, caso a PEC da Segurança seja aprovada, pretende criar a pasta, promessa que já havia feito em 2022.

Disse que pretende combater lideranças de facções criminosas e prometeu investimentos em educação para evitar que o adolescente creça e “vire bandido”.

“É fácil matar o bandido numa favela. Agora, o cara que manda tá no apartamento de cobertura. O cara que manda está morando no condomínio e nós precisamos acabar com eles para poder acabar com o debaixo. Nós vamos trabalhar duro”, declarou.

Na sequência de seu discurso, Lula relembrou dois momentos em que esteve preso e as diferentes decisões que recebeu para deixar a cadeia. Na ditadura militar, teve autorização de um delegado para acompanhar o enterro da mãe. Em 2019, quando estava preso em Curitiba, não recebeu autorização para acompanhar o velório do irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá. A decisão foi tomada por Dias Toffoli, então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e ministro indicado por Lula à Corte.

Janja foi uma das principais atrações do evento. Ela iniciou o discurso reclamando do microfone, homenageou Marisa Letícia e chamou o cantor evangélico Kleber Lucas para cantar uma música em homenagem a Lula.

A primeira-dama reconheceu a importância de Marisa Letícia para a trajetória do PT. “Essas mulheres foram de uma força importante e, sem a presença delas, essa história poderia ser diferente.”