ELEIÇÕES


André Esteves prevê disputa acirrada em 2026 e cobra ajuste fiscal para queda dos juros

Presidente do BTG Pactual aponta segundo turno inevitável e defende corte da taxa Selic para 7%

Reprodução/weforum.org

O presidente do BTG Pactual, André Esteves, previu nesta segunda-feira (14) que a eleição presidencial de 2026 será decidida por margem estreita e defendeu o equilíbrio fiscal para a redução de juros no país. A declaração ocorreu durante evento de apresentação da pesquisa eleitoral promovida pelo banco em parceria com a Nexus.

“Eu acho que a eleição vai ser 51% a 49%, só não sabemos pra quem”, disse Esteves. Segundo o executivo, a disputa eleitoral está sem grandes alterações entre candidatos e pesquisas.

O banco divulgou levantamento em que o presidente e candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registra 40% das intenções de voto no primeiro turno. O candidato Flávio Bolsonaro (PL) soma 36%, cenário que mantém o atual chefe do Executivo à frente fora da margem de erro.

“A eleição deve ir para o segundo turno, e me parece estatisticamente muito difícil de se resolver no primeiro turno”, constatou Esteves. Na simulação de segundo turno, a pesquisa Nexus/BTG mostra empate técnico de Lula contra Flávio Bolsonaro e contra o escritor Augusto Cury (Avante).

No campo econômico, Esteves avalia que o próximo presidente encontrará o Brasil em situação superior à de períodos anteriores. “Independente do candidato, aquele que for vai pegar um país muito mais arrumados do que no passado, como em 1994 e 2002”, declarou.

Para o executivo, o país vive uma conjuntura de escolhas “mais certas do que erradas” feitas em sociedade. Ele indicou que a consolidação da estabilidade econômica depende do alcance de um patamar de juros civilizados.

O Banco Central realiza reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na próxima quarta-feira (16). O mercado projeta redução de 0,25% na taxa Selic, que se encontra em 14%.

Esteves defende a redução do indicador pela metade. “Levar juros de 14% para 7% é perfeitamente possível, e é uma mudança de patamar que tem um enorme impacto na sociedade. Isso vale mais do que qualquer programa social. As medidas são simples, todas vão em direção de equilíbrio fiscal”, afirmou.

O ajuste fiscal necessário envolve contenção de despesas e ampliação de receitas. O executivo criticou o volume de títulos isentos em circulação no mercado.

“E eu sou detentor e emito esses títulos. Mas, simplesmente, está errado. Isso tem a ver com receita”, disse Esteves ao classificar o volume como “um absurdo”.