ELEIÇÕES


ACM Neto é ‘contraditório’ ao atacar modelo de educação na Bahia usado por Caiado, diz pré-campanha do PT

Ex-prefeito de Salvador tem repetido que, se eleito governador, revogará o sistema por se tratar de “aprovação automática” de alunos

Imagem: Eduardo Costa e Matheus Morais/MundoBA

 

A pré-campanha do governador Jerônimo Rodrigues (PT) afirmou o pré-candidato ACM Neto (União Brasil) adota um discurso contraditório ao criticar a chamada progressão parcial de alunos na rede estadual da Bahia —mesmo modelo aplicado há quase três décadas em Goiás e mantido atualmente, sob o governo do presidenciável Ronaldo Caiado (PSD).

Em declarações públicas, o ex-prefeito de Salvador tem repetido que, se eleito governador, uma de seus primeiros atos será revogar o sistema por se tratar de uma “aprovação automática”.

“Enquanto apresenta o estado goiano como referência na área da educação, ACM Neto omite que a política que condena na Bahia integra a rede pública goiana há 28 anos”, diz nota divulgada pela equipe de Jerônimo.

De acordo com o texto, há dois meses, ACM Neto esteve em Goiás para, segundo ele próprio, se inspirar nas políticas educacionais do estado de Caiado para aplicá-las na Bahia. “O que o ex-prefeito não explicou nas redes sociais é por que o modelo é aceitável quando usado por Ronaldo Caiado, mas vira escândalo na Bahia.”

Conforme a gestão petista, ACM Neto desconsidera que, com a progressão parcial, o abandono no ensino médio nos colégios estaduais baianos caiu de 12,9% para 3% entre 2022 e 2025.

Dados da SEC (Secretaria de Educação da Bahia) apontam que o índice de reprovação recuou de 16,3% para 4,6%, enquanto a distorção idade-série passou de 41,3% para 24%.

No Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), a pasta menciona um avanço de 3,2, em 2019, para 3,5, em 2021; e 3,7, em 2023, com base na estatística mais recente disponível.

“Assim como em outros 18 estados brasileiros, a política adotada pela rede estadual da Bahia parte do princípio de que dificuldades em algumas disciplinas não devem interromper toda a trajetória escolar. A progressão parcial permite a continuidade dos estudos mesmo quando há pendências, desde que essas sejam sanadas posteriormente, evitando que o aluno tenha de repetir integralmente o ano letivo e diminuindo o abandono das escolas”, acrescenta a nota da pré-campanha de Jerônimo.