ELEIÇÕES


Abstenção e indecisos podem definir eleição no segundo turno

Primeiro turno registrou abstenção de mais de 33,4 milhões de eleitores, maior índice desde 1998

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

 

Os eleitores que não foram às urnas e os que ainda estão indecisos podem definir o resultado das eleições deste ano. No primeiro turno, mais de 33,4 milhões de eleitores não votaram. A abstenção foi de 21,08%, o maior índice desde 1998.

Dos quase 159 milhões de eleitores aptos a votar, cerca de 125 milhões compareceram às urnas, o quivalente a quase 79% do eleitorado.

O cientista político Bhreno Vieira explica que uma abstenção entre 20% e 22% já era esperada. “Apesar de esperado, é um contingente eleitoral bastante grande e, por se tratar de um volume grande, é um volume que pode, de certa forma, decidir”, observou.

A abstenção deste ano ficou próxima da registrada em 2022, quando 20,95% dos eleitores não compareceram às urnas. Naquele ano, no segundo turno, a abstenção caiu para 20,59%.

“Em 2022, o primeiro turno teve uma abstenção próxima de 21 e caiu depois no segundo turno. Diferente, por exemplo, de 2018, onde a gente vê uma abstenção no primeiro turno bem menor e no segundo turno bem maior. Então, as pessoas podem comparecer e podem realmente mudar essa questão de como vai ser projetado o voto. É uma outra eleição, aí começa-se a pensar como vai ser esse contexto eleitoral”, afirmou.

O especialista em ciência política Ariel Calmon explica que, no segundo turno, a estratégia é manter os votos já obtidos, principalmente na disputa pela Presidência da República, e conquistar novos. Calmon argumenta que essa conquista será especialmente difícil para o presidente Lula.

“A dificuldade maior está no presidente, porque é um choque para a campanha do PT terminar o primeiro turno atrás do senador Flávio Bolsonaro. E, de acordo com o que nós temos de candidatos também derrotados em primeiro turno, eles são mais alinhados ideologicamente a Flávio Bolsonaro e as pesquisas mostram que uma eventual transferência de voto desses candidatos derrotados em primeiro turno favoreceria Flávio Bolsonaro”, pontuou Calmon.

Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo tiveram os maiores índices de abstenção. Na outra ponta, Ceará, Roraima, Piauí e Sergipe registraram os menores índices.

O primeiro turno teve ainda 2,2 milhões votos em branco e 3,6 milhões de votos nulos.