ECONOMIA


Vorcaro nega à PF esquema fraudulento e diz não saber quais créditos do Master eram bons

Carteiras haviam sido adquiridas da consultoria Tirreno, que não apresentou documentos comprovando as operações

Foto: Divulgação

 

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, negou à Polícia Federal ter fraudado carteiras de crédito no valor de R$ 12,2 bilhões vendidas ao BRB (Banco de Brasília) e afirmou que não sabia quais créditos eram bons ou ruins, informa o jornal Folha de S. Paulo.

As carteiras haviam sido adquiridas pelo Master da consultoria Tirreno e teriam origem em operações de empréstimo consignado firmadas por meio de associações de servidores públicos da Bahia.

Investigações do Banco Central, do MPF (Ministério Público Federal) e da PF apontaram indícios de que os créditos haviam sido forjados e foram utilizados para inflar o balanço do banco de Vorcaro, que repassou a carteira ao BRB num momento em que a instituição enfrentava dificuldades de liquidez.

Segundo os investigadores, as carteiras de crédito teriam envolvido CPFs de diversas localidades, e não foram encontradas movimentações financeiras compatíveis com as operações nas associações de servidores.

O dono do Master afirmou que recebeu uma comunicação do BC em março pedindo detalhes da origem dos créditos, e em abril o banco estava “cobrando e pressionando” o parceiro para que ele apresentasse a documentação.

“Não existia uma determinação ou não existia um entendimento de que havia um problema real com as carteiras. Existia uma cobrança nossa para que a gente tivesse a documentação toda feita”, disse.

“Eu não sei quais créditos são bons ou são ruins, têm documentos ou não. Eu não tenho como saber que não foi o banco que originou. E o negócio não foi realizado, afinal. Então, não existiu ação criminosa minha em nenhum momento e nem do banco”, disse Vorcaro à PF, de acordo com a Folha.

A declaração foi dada em depoimento concedido em 30 de dezembro, no STF (Supremo Tribunal Federal), e precedeu uma acareação entre Vorcaro e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. A investigação é conduzida na corte pelo ministro Dias Toffoli.