ECONOMIA


Vendas no Mês das Mães devem crescer 4% na Bahia, projeta setor varejista

Farmácias, supermercados e o grupo de outras atividades devem impulsionar as vendas no período; inflação média dos itens pode atinge 1,22%

Foto: Assessoria

 

O varejo baiano deve faturar R$ 15,2 bilhões em maio, o chamado Mês das Mães, nos setores relacionados à data — excluindo vendas de veículos e materiais de construção. A cifra representa um crescimento real de 4% em relação ao mesmo período do ano anterior, que teve vendas estáveis, segundo projeção da Fecomércio-BA.

Das seis atividades analisadas, três devem apresentar desempenho positivo, enquanto as demais tendem a registrar retração. A principal diferença entre os segmentos está na sensibilidade ao crédito. Assim, os setores de consumo básico devem se destacar, como farmácias e perfumarias, com crescimento estimado de 8%, e supermercados, com alta prevista de 4%.

“Esses dois segmentos possuem dinâmicas distintas no período. No caso de farmácias e perfumarias, o impulso vem da busca por presentes, como perfumes, maquiagens e produtos de cuidados pessoais. Já os supermercados se beneficiam do aumento na demanda por alimentos e bebidas para celebrações familiares no segundo domingo de maio”, diz Guilherme Dietze, consultor econômico do Sistema Comércio-BA.

Também com desempenho positivo está o grupo “outras atividades”. Embora inclua a venda de combustíveis, esse segmento reúne diversos setores relacionados à data, como joalherias, lojas de chocolates, artigos esportivos, entre outros. A expectativa é de crescimento expressivo, também na ordem de 8% na comparação anual.

Em contrapartida, setores mais dependentes de crédito devem enfrentar retração, como lojas de móveis e decoração (-9%), vestuário, tecidos e calçados (-5%) e eletrodomésticos e eletrônicos (-4%). Trata-se de produtos de maior valor agregado, cujo consumo é mais sensível ao nível das taxas de juros, atualmente elevadas.

Guilherme Dietze afirma que, de forma geral, o varejo baiano deve apresentar saldo positivo, influenciado pelo ganho real de renda dos trabalhadores nos últimos anos, impulsionado por um mercado de trabalho aquecido.

“Além disso, a proximidade da data com o período habitual de pagamento de salários tende a favorecer as decisões de compra. Por outro lado, é importante considerar que o mês de abril contou com diversos feriados, o que pode ter comprometido parte da renda disponível para as compras do Dia das Mães, além do desafio recente da inflação em alimentação e combustíveis”, explica.

Ainda assim, mesmo diante dos desafios enfrentados ao longo do ano, o cenário para a principal data do comércio no primeiro semestre é visto com otimismo, especialmente em relação a decisões empresariais sobre contratações, formação de estoques e investimentos.

Inflação da cesta do Dias das Mães

De acordo com levantamento da Fecomércio BA, a inflação acumulada em 12 meses para uma cesta de 26 itens monitorados pelo IPCA da região metropolitana de Salvador, tradicionalmente demandados no período, é de 1,22%. Esse índice está abaixo da inflação geral da região no mesmo período (4,01%) e inferior ao registrado na mesma cesta no ano anterior (2,53%).

A queda nos preços é puxada pelo segmento de eletroeletrônicos, com destaque para ar-condicionado (-13,93%), refrigerador (-10,25%), fogão (-9,32%) e máquina de lavar (-6,8%). Essa redução pode estar ligada à valorização do real, que reduz os custos de importação de produtos e componentes. Também apresentam queda itens como roupa de cama (-3,07%), blusa (-2,52%) e short feminino (-0,63%).

Por outro lado, os maiores aumentos concentram-se em bijuterias (13,69%), influenciadas pela alta do ouro e da prata no mercado internacional, além de produtos para cabelo (8,79%), sapatos femininos (7,48%) e sandálias (7,47%).