ECONOMIA


Transações financeiras de Vorcaro incluem movimentação de R$ 2,7 bilhões, joias e carros de luxo

Fluxo em conta de banqueiro somou, em média, R$ 773 mil por dia em débitos e créditos

Foto: Reprodução/YouTube

 

As movimentações financeiras nas contas de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, então sendo analisadas pela Polícia Federal e somam R$ 2,7 bilhões em quase 10 anos, o que representa uma média diária de R$ 773 mil. A informação é do jornal O GLOBO, que teve acesso a documentos.

De acordo com a publicação, as despesas incluem R$ 51 milhões em faturas de crédito na última década, além de pagamentos a uma concessionária de carros esportivos, loja de grifes importadas, joalherias e uma revendedora de barcos.

Conforme as apurações da PF, as documentações detalham entradas e saídas de recursos entre o período de janeiro de 2016 e novembro de 2025. Vorcaro chegou a ser preso no final do ano passado, mas foi solto depois de duas semanas. Atualmente, ele cumpre prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica.

Segundo o jornal, desde que Vorcaro se tornou banqueiro, em outubro de 2019, houve uma movimentação diária de R$ 933 mil, o que representa quase o dobro das transações diárias que ele fazia antes de o Banco Central autorizar que ele assumisse o Banco Máxima, rebatizado com o nome Master.

A movimentação financeira também inclui R$ 1,38 bilhão em débitos, isto é, valores que deixaram a conta para pagamentos ou transferências, e R$ 1,39 bilhão em créditos, quando recursos foram depositados para Vorcaro.

Entres os principais gastos do banqueiro está uma joalheira localizada em São Paulo. Foram, ao todo, 16 pagamentos feitos a um único estabelecimento, entre janeiro de 2018 e setembro de 2019, que totalizaram R$ 1,7 milhão.

Em junho de 2020, ele também transferiu R$ 1,65 milhão para uma concessionária de carros de luxo no bairro Santa Lúcia, área nobre de Belo Horizonte. Ainda repassou R$ 1,3 milhão para uma empresa que vende embarcações, registrada na cidade de Guaratuba, no litoral do Paraná.

Os documentos analisados pela PF revelam que Vorcaro desembolsou R$ 51 milhões com cartões de crédito entre 2016 e 2025, o que equivale a uma despesa de R$ 5,1 milhões por ano. O volume chamou a atenção dos investigadores, que analisam os detalhes das transações.

Sigilo dos dados

Os detalhes sobre as movimentações financeiras de Vorcaro vêm à tona depois de uma mudança no rumo das investigações. Na semana passada, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou que fossem devolvidos à CPI do INSS os dados obtidos a partir das quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático do banqueiro. As informações haviam sido remetidas à presidência do Senado, comandada por Davi Alcolumbre (União-AP), por ordem do ministro Dias Toffoli, ex-relator do caso Master. O magistrado havia decretado sigilo máximo às informações e deixou a relatoria após o desgaste provocado pela revelação de que é sócio de uma empresa dona de um resort que foi vendido para um fundo ligado ao cunhado de Vorcaro.

Antes de ser encaminhado à CPI, o material foi remetido à Polícia Federal, que vai ser responsável pelo compartilhamento com os congressistas, que vêm fazendo uma ofensiva para ouvir o banqueiro. A convocação para ir à comissão já havia sido aprovada, mas uma decisão do STF tornou a ida facultativa. Os integrantes do colegiado tentam agora uma nova data.

Procurada pela reportagem, a defesa de Vorcaro disse que os “bens, ativos e movimentações patrimoniais” dele são “registrados, contabilizados e declarados às autoridades competentes”.

Veja a nota na íntegra

“A defesa de Daniel Vorcaro repudia a continuidade de vazamentos seletivos de informações, descontextualizadas e sem relevância jurídica para o processo, inclusive envolvendo elementos aos quais a própria defesa não teve acesso.

A divulgação fragmentada de dados sigilosos, especialmente aqueles de caráter pessoal, favorece ilações que não contribuem para a apuração técnica dos fatos e prejudicam o pleno exercício do direito de defesa, princípio essencial do devido processo legal.

A defesa esclarece ainda que todos os bens, ativos e movimentações patrimoniais de Daniel Vorcaro são regularmente registrados, contabilizados e declarados às autoridades competentes, com os respectivos tributos devidamente recolhidos.

Daniel Vorcaro reafirma sua confiança nas instituições e seguirá colaborando integralmente com as autoridades, certo de que os fatos serão analisados com base em elementos técnicos, dentro das garantias legais e constitucionais.”