ECONOMIA


Tensão nos EUA leva investidores a correr para o ouro e a prata, que renovam máximas históricas

Investigação contra o Federal Reserve e incertezas globais impulsionam buscas por ativos considerados mais seguros; ou sobre quase 3% e prata dispara perto de 8%

Foto: Reprodução/Pixabay

 

Em meio ao aumento da aversão ao risco nos mercados internacionais, ouro e prata voltaram a bater recordes nesta segunda-feira (12). O movimento ocorre após a abertura de uma investigação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre o Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, o que elevou a percepção de instabilidade econômica e política no país.

Por volta das 11h (horário de Brasília), os contratos futuros do ouro para fevereiro subiam 2,79%, negociados a US$ 4.626,46 por onça-troy, segundo a Bolsa de Valores de Nova York. No mesmo horário, a prata avançava ainda mais: os contratos para março disparavam 7,95%, cotados a US$ 85,65 a onça, também em máxima histórica. Em 2025, a prata acumulou valorização próxima de 150%.

Analistas apontam que a escalada dos metais preciosos reflete a busca dos investidores por proteção diante das incertezas nos Estados Unidos, do mercado de ações considerado superaquecido e de um cenário geopolítico instável. Conflitos prolongados, como a guerra entre Rússia e Ucrânia, além de novas tensões envolvendo Venezuela e Irã, reforçam historicamente o apelo de ativos vistos como porto seguro.

A pressão recente ganhou força com a notícia de que o Departamento de Justiça dos EUA investiga uma reforma de US$ 2,5 bilhões na sede do Fed, em Washington. O presidente da instituição, Jerome Powell, afirmou que a apuração tem caráter político e está ligada a críticas do presidente Donald Trump à condução da política monetária. Segundo Powell, a ofensiva representa uma tentativa de intimidação contra a autonomia do banco central.

Mesmo após três cortes consecutivos nos juros no segundo semestre do ano passado, o Fed sinalizou que novas reduções não são garantidas em 2026. A próxima reunião para definição da taxa básica está marcada para os dias 27 e 28 de janeiro. Até lá, com o nervosismo em alta, o brilho do ouro e da prata segue ofuscando outras apostas do mercado.