ECONOMIA


Resort Tayayá, ligado à família Toffoli, deixou dívida milionária e foi renegociado 5 vezes

Empréstimo de R$ 20 milhões feito em 2016 para empreendimento no Paraná teve prazos ampliados e ainda possui saldo a quitar

Foto: Rosinei Coutinho/STF

 

O resort Tayayá não pertence mais à família do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) José Dias Toffoli desde fevereiro do ano passado. Ainda assim, o empreendimento deixou uma dívida com o banco Bradesco que vem sendo renegociada ao longo dos últimos anos. O empréstimo foi contratado em 2016 no valor de cerca de R$ 20 milhões e tinha prazo inicial de pagamento de três anos. Entretanto, registros em cartório indicam que a dívida foi renegociada ao menos cinco vezes, com prazos ampliados, ausência de multas por atraso e juros abaixo da taxa básica da economia, a Selic. A informação é do Estadão Conteúdo.

A última renegociação registrada ocorreu em outubro de 2024. O documento prevê que o saldo restante de aproximadamente R$ 7 milhões, que chega a cerca de R$ 8,1 milhões com juros, seja quitado até julho de 2026.

Procurado pela reportagem, o Bradesco informou que não poderia comentar o caso por envolver sigilo bancário. Já Dias Toffoli afirmou, por meio da assessoria do STF, que não participou do empréstimo nem dos aditivos do contrato.

Segundo a nota, o ministro também declarou impedimento para julgar processos envolvendo o banco. “Embora não fosse obrigatório declarar impedimento ou suspeição, o ministro, há muitos anos, encaminhou ao distribuidor do Supremo Tribunal Federal declaração de impedimento para julgar processos envolvendo o Banco Bradesco. Esse impedimento foi observado reiteradamente nos casos relacionados à instituição financeira até recentemente”, informou.

A assessoria acrescentou ainda que Toffoli foi investidor do projeto desde o início e que todos os aportes foram declarados à Receita Federal do Brasil. Documentos do empreendimento indicam que o ministro passou a integrar formalmente o quadro societário em 2021.

O projeto do resort começou em 2006, quando o empresário Mario Umberto Degani, primo de Toffoli, incorporou o terreno onde seria construído o empreendimento, localizado em Ribeirão Claro, no Paraná. Dois irmãos do ministro também atuaram como administradores de uma empresa ligada à sociedade controladora do resort.

A relação entre o empreendimento e o Bradesco ocorreu por meio da incorporadora DGEP Empreendimentos, criada por Degani em sociedade com o advogado Euclides Gava. Em 2021, Toffoli passou a integrar a empresa por meio da Maridt S.A., companhia da qual seus irmãos aparecem como dirigentes.

Quando o ministro entrou na sociedade, a dívida com o banco já havia sido contraída. O financiamento foi registrado em cartório com garantia hipotecária, tendo como lastro unidades do próprio resort.

A existência do empreendimento também passou a ser mencionada em questionamentos relacionados à atuação de Toffoli como relator de investigações envolvendo o Banco Master no STF. Parte da participação do ministro no projeto chegou a ser vendida a um fundo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira.

Mensagens e extratos analisados pela reportagem indicam que o fundo teria destinado cerca de R$ 35 milhões ao resort. Após a divulgação das informações, Toffoli confirmou que foi sócio do empreendimento, mas negou ter recebido recursos de Vorcaro ou de seu cunhado, o pastor Fabiano Zettel, que aparece formalmente como cotista do fundo envolvido nas operações.