ECONOMIA


Presidente do BNDES propõe taxar bets para aumentar arrecadação

"Vamos aumentar os impostos das bets, que estão corroendo as finanças populares"

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom

 

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, manifestou apoio ao recente aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) anunciado pelo governo federal. Durante um evento focado na indústria brasileira, Mercadante rebateu críticas de setores empresariais, afirmando que é fundamental apresentar alternativas em vez de apenas criticar as medidas propostas.

Mercadante sugeriu que uma possível solução seria aumentar os impostos sobre as apostas esportivas, conhecidas como bets. Ele argumentou que tal medida poderia reduzir o impacto do IOF e oferecer uma alternativa viável. “O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem a responsabilidade de equilibrar o orçamento fiscal. Portanto, é necessário propor alternativas. Aqui, faço uma sugestão pública: vamos aumentar os impostos das bets, que estão corroendo as finanças populares”, declarou Mercadante, segundo o veículo de comunicação que cobriu o evento.

Após o evento, em entrevista à imprensa, Mercadante detalhou que o aumento do IOF, aliado à estabilização do dólar, é essencial para permitir uma redução “segura, progressiva e sustentável” da taxa Selic pelo Banco Central. Na semana passada, o governo federal anunciou mudanças nas alíquotas do IOF, incluindo o aumento do imposto sobre crédito para empresas de 1,88% para 3,95% ao ano. Algumas dessas medidas foram posteriormente revistas, como a intenção de aumentar a alíquota sobre a compra de moeda em espécie para 3,5%.

O ministro Haddad, presente no mesmo evento, afirmou que o governo definirá até o final da semana como compensar os recuos nas alíquotas do IOF. Haddad reconheceu que o aumento do custo do crédito é uma preocupação, mas destacou que a elevação da taxa básica de juros também tem esse efeito e, ainda assim, é vista como uma necessidade pelos empresários. Ele comparou a situação atual com a do governo anterior, quando as alíquotas eram ainda maiores. “Queremos resolver isso o quanto antes, equilibrando o fiscal e o monetário para que o país continue crescendo”, concluiu Haddad ao deixar o evento no BNDES.