ECONOMIA


Preço dos alimentos deve subir 7% com guerra e El Niño

Analistas ressaltaram que encarecimento da comida tem potencial para influenciar debate eleitoral deste ano

Foto: Vitor Vasconcelos / Secom-PR

 

Os alimentos consumidos em casa devem encerrar 2026 com alta acumulada superior a 7%. Economistas de instituições financeiras revisaram suas projeções para cima diante do agravamento do conflito no Irã e do aumento dos riscos associados ao fenômeno climático El Niño. Caso esse cenário se confirme, o indicador registrará a maior variação desde 2024, quando avançou 8,23%.

A escalada nos supermercados supera a projeção da inflação oficial do país (IPCA), estimada em 5,09% pelo Boletim Focus, do Banco Central. Em entrevista dada ao jornal O Globo, analistas ressaltaram que o encarecimento da comida tem potencial para mexer no debate eleitoral deste ano. A inflação da alimentação domiciliar havia registrado trégua recente, com fechamento de 1,43% no acumulado de 2025.

A guerra no Oriente Médio desregulou o mercado de energia e provocou a disparada nas cotações internacionais do petróleo. A alta gerou repasses imediatos nos combustíveis nacionais, como o óleo diesel, que encareceu o transporte rodoviário de cargas. O bloqueio temporário do Estreito de Ormuz também reduziu a oferta de fertilizantes e elevou o custo de produção das próximas safras.

Para o economista André Romão o indicador deve crescer de forma significativa. Antes do início dos combates, em fevereiro, o especialista previa uma taxa de 3,7% para os alimentos. Com o novo cenário internacional, a projeção dele saltou para 7,7% em dezembro.

O avanço do fenômeno El Niño a partir da metade do ano traz novos riscos para a agricultura. O aquecimento anormal do Oceano Pacífico altera o regime de chuvas e historicamente castiga o Norte e o Nordeste com secas severas. Na outra ponta, o evento climático costuma provocar tempestades e inundações na Região Sul, o que prejudica a colheita de itens de hortifrúti.

Desde o início da crise sanitária, o segmento registrou recuo de preços em apenas um ano. Em 2023, a inflação da alimentação em casa caiu 0,52% , impulsionada por uma safra recorde de grãos. Na média geral calculada entre os anos de 2020 e 2025, os produtos alimentícios subiram à taxa de 8,13% ao ano.