ECONOMIA


Preço das passagens aéreas pode subir até 20% com alta do querosene de aviação, dizem especialistas

Segundo Abear, a nova alta, somada ao reajuste de 9,4%, faz com que o combustível passe a representar quase metade dos custos operacionais das companhias aéreas

Foto: Antonio Milena/Arquivo Abr

 

A Petrobras anunciou nesta quarta-feira (1º) um aumento de mais de 50% no preço médio do querosene de aviação (QAV) a partir deste mês. A alta pode aumentar os preços das passagens aéreas em até 20%, segundo especialistas ouvidos pelo G1. A medida reflete o aumento do petróleo no mercado internacional, impulsionado pela guerra no Oriente Médio.

“Como quase metade das despesas das companhias aéreas é com o QAV, o custo operacional deve subir nessa proporção”, afirma Andre Castellini, sócio da Bain&Company. Segundo o especialista, ainda não é possível dizer se os repasses serão imediatos, já que o processo depende da ocupação dos voos e da avaliação de cada companhia aérea.

Maurício França, sócio da L.E.K. Consulting, projeta que, o impacto sobre as passagens aéreas pode ficar na faixa de 10% a 20%, sendo “algo próximo de 15%” o cenário mais provável. “Esse é um movimento relevante porque, quando o preço das passagens sobe, a demanda tende a recuar. Em um cenário de alta de cerca de 15% nas passagens, é razoável esperar também uma retração da demanda em torno de 15%, o que seria bastante significativo para as empresas do setor”, avalia.

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) afirmou em nota, nesta quarta-feira, que o reajuste no preço do querosene de aviação pode gerar “consequências severas” sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços. Segundo a entidade, a nova alta, somada ao reajuste de 9,4% aplicado desde 1º de março, faz com que o combustível passe a representar quase metade (45%) dos custos operacionais das companhias aéreas. A representante do setor aéreo afirma ter defendido a implementação de mecanismos que permitam diminuir os impactos do aumento do QAV.

A Petrobras, por sua vez, anunciou em comunicado uma iniciativa para suavizar os efeitos do reajuste do querosene de aviação. A estatal afirmou que, em abril, as distribuidoras pagarão alta equivalente a 18%. A diferença até os 54% previstos em contrato será parcelada em seis vezes, a partir de julho.

Diante do cenário, o Ministério de Portos e Aeroportos enviou ao Ministério da Fazenda uma proposta com sugestões para reduzir a pressão sobre o setor aéreo. O documento, elaborado pela Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC), traz medidas como a redução temporária de tributos sobre o querosene de aviação (QAV), do IOF sobre operações financeiras das empresas aéreas e do Imposto de Renda sobre operações de leasing de aeronaves.