ECONOMIA


Prata supera rali do ouro e atinge maior patamar em 14 anos

Relação ouro-prata cai abaixo de 50 pela primeira vez desde 2012 e acende alerta no mercado

Foto: Reprodução/Freepik

 

A forte valorização da prata nos mercados internacionais levou a relação ouro-prata a cair abaixo de 50 pela primeira vez desde março de 2012. Esse indicador mede quantas onças de prata são necessárias para comprar uma onça de ouro. O movimento indica que a prata está sendo negociada em seu nível mais elevado em comparação ao ouro em quase 14 anos.

O avanço ocorre em meio a um rali expressivo dos metais preciosos. No último ano, o ouro acumulou alta superior a 80%, atingindo US$ 5.100 por onça, enquanto a prata disparou cerca de 250%, chegando a US$ 110. Ambos os ativos renovaram recordes históricos, impulsionados por um cenário de incertezas globais.

A busca por proteção tem sido intensificada por conflitos geopolíticos na Europa e no Oriente Médio, além das tensões comerciais entre Estados Unidos e China. Soma-se a isso a perda de confiança no dólar, pressionado pelo crescimento da dívida americana e por uma inflação persistente acima da meta. Em ambientes de instabilidade, investidores tendem a migrar para ativos reais, como metais preciosos, vistos como reserva de valor.

A última vez que o “gold-silver ratio” esteve em níveis semelhantes foi durante a chamada “Operação Twist”, em 2012, quando o Federal Reserve promoveu compras massivas de títulos para conter juros de longo prazo. Desde 1985, a média histórica do indicador é de aproximadamente 70, e quedas abaixo de 50 ocorreram em apenas 6% dos pregões. Especialistas avaliam que o atual descompasso não indica correção imediata, mas serve de alerta: um reequilíbrio pode ocorrer tanto por uma acomodação nos preços da prata quanto por nova alta do ouro.