ECONOMIA


Petróleo fecha em alta de 4,7% após fechamento do Estreito de Ormuz

Escalada militar no Oriente Médio eleva temor de choque energético e amplia volatilidade

Foto: Pixabay

 

Os preços do petróleo encerraram a sessão desta terça-feira (3) com alta superior a 4%, após chegarem a saltar mais de 9% durante a manhã, em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio e ao fechamento do Estreito de Ormuz. O movimento ocorre diante de ameaças do Irã contra embarcações na região e de incertezas sobre a duração do bloqueio, considerado estratégico para o fluxo global de energia.

Na New York Mercantile Exchange, o WTI para abril avançou 4,7% (US$ 3,33), encerrando a US$ 74,56 o barril. Já o Brent para maio, negociado na Intercontinental Exchange, subiu 4,7% (US$ 3,66), a US$ 81,40. Mais cedo, ambos renovaram os maiores níveis desde meados de 2024 e 2025.

No fim do dia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Marinha americana poderá escoltar navios pela região e que determinou a oferta de seguros a “preço razoável”, em tentativa de conter a disparada dos custos logísticos e energéticos. A medida ajudou a reduzir parte dos ganhos observados no início do pregão.

Analistas avaliam que o choque atual supera, em intensidade inicial, o registrado após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Dois dias após o início daquela guerra, o Brent havia subido 1%; agora, no mesmo intervalo após ataques dos EUA ao Irã, a alta acumulada chegou a 15%. O economista Robin Brooks, do Brookings Institution, classificou o momento como um “choque absolutamente gigantesco” que se propaga pelos mercados globais.

Instituições financeiras monitoram a duração do conflito, a sucessão na liderança iraniana e o tempo de fechamento de Ormuz. O Société Générale projeta que o Brent possa atingir entre US$ 90 e US$ 100 por barril caso o bloqueio persista, ainda que o consenso aponte para um fechamento de poucos dias. Enquanto isso, a Saudi Aramco avalia redirecionar cargas para o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, como alternativa às rotas do Golfo. Também houve forte alta no gás natural europeu Dutch TTF e no diesel negociado na ICE, refletindo o aumento do prêmio de risco energético.