ECONOMIA


Petroleiras dos EUA demonstram resistência sobre voltar a investir na Venezuela

Executivos se reuniram com Donald Trump na Casa Branca e destacaram riscos jurídicos e operacionais no país

Foto: Reprodução/Freepik

 

Executivos de grandes companhias petrolíferas dos Estados Unidos demonstraram resistência diante de uma possível retomada de investimentos na Venezuela, mesmo após pressão do presidente Donald Trump. A reunião ocorreu na sexta-feira (9), na Sala Leste da Casa Branca, e contou com a presença de cerca de 20 representantes do setor.

Durante o encontro, Trump sinalizou que há espaço para um acordo rápido e afirmou que existem alternativas caso algumas empresas não avancem nas negociações. Segundo o presidente, haveria ao menos 25 interessados prontos para substituir eventuais desistentes da parceria envolvendo a Venezuela.

Entre os participantes, o CEO da ExxonMobil, Darren Woods, afirmou que a Venezuela é atualmente “não investível” e lembrou que ativos da empresa já foram confiscados em duas ocasiões pelo governo venezuelano. Ele ressaltou a necessidade de mudanças no marco legal e de garantias duradouras para proteção dos investimentos.

O fundador da Continental Resources, Harold Hamm, também participou da reunião, mas evitou indicar prazos ou valores, apesar de demonstrar interesse na possibilidade. O encontro teve como objetivo sinalizar disposição para cooperação, desde que haja segurança para as empresas.

Trump ofereceu garantias de proteção às companhias que operarem no país, sem detalhar como essas medidas seriam implementadas. O presidente afirmou ainda que os investimentos em novos equipamentos seriam rapidamente recuperados, destacando que as operações envolveriam o governo americano, e não diretamente a Venezuela.

Durante a conversa, o CEO da ConocoPhillips, Ryan Lance, mencionou perdas de até US$ 12 bilhões da empresa no país, comentário que foi recebido com leveza por Trump. O episódio evidenciou as dificuldades para atrair grandes produtores de petróleo de volta à Venezuela.

No mercado, a possibilidade de venda de mais de 50 milhões de barris de petróleo venezuelano já provocou reações, com os contratos futuros do WTI girando em torno de US$ 59 por barril na sexta-feira. A perspectiva de aumento da oferta contrasta com pressões internas nos EUA relacionadas ao custo de vida.

Produtores independentes demonstraram preocupação de que a entrada da produção venezuelana pressione os preços para baixo, tornando inviáveis muitos projetos de perfuração. O cenário é agravado pelas promessas de reconstrução da infraestrutura petrolífera do país sob controle externo.

Analistas e parte do setor veem com cautela uma eventual intervenção militar dos EUA, temendo associação com políticas de expropriação de recursos. O governo Trump afirma que atua para conter uma ameaça à segurança nacional e evitar que China ou Rússia ampliem sua influência sobre as reservas venezuelanas.

A Venezuela detém as maiores reservas de petróleo do mundo, mas a produção caiu para menos de 1 milhão de barris por dia após processos de nacionalização e deterioração da infraestrutura. A recuperação plena do setor exigiria reparos ambientais, reconstrução de oleodutos e investimentos bilionários ao longo de anos.

Atualmente, a Chevron mantém operações no país sob licença específica dos Estados Unidos, enquanto ExxonMobil e ConocoPhillips encerraram suas atividades há anos. Até o momento, não houve anúncio de investimentos concretos, apenas sinalizações condicionadas à criação de um ambiente de maior segurança jurídica e institucional.

Com informações da Bloomberg Línea