ECONOMIA


Petrobras vai devolver receita extra de leilão de gás criticado por Lula

Gestão Magda Chambriard defendeu ao governo que a oferta foi feita sem autorização da cúpula da empresa

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

 

A Petrobras decidiu devolver o dinheiro extra arrecadado com o leilão de gás de cozinha realizado há duas semanas, evento que foi alvo de críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelos elevados ágios sobre o preço normal do produto. 

Em nota divulgada nesta quinta-feira (9), a estatal disse que, em um primeiro momento, devolverá a diferença entre o preço pago pelas distribuidoras de gás de cozinha e a paridade de importação calculada pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) na semana de 23 a 27 de março.

No leilão, a Petrobras ofereceu volume equivalente a 11% do consumo do combustível em abril. O ágio sobre o preço normal chegou a 117%, mais do que dobrando o preço do produto. O conselho de administração da estatal decidiu demitir o diretor de Logística, Comercialização e Mercados, Claudio Schlosser, responsável pela gerência que organizou a oferta.

A companhia não deu detalhes sobre como será feita a devolução. Não está claro também como a decisão beneficiará o consumidor final, já que o ágio dos leilões já foi repassado por distribuidoras e revendedores ao preço final do produto. Os clientes são as distribuidoras de gás de cozinha, responsáveis por engarrafar o produto em botijões e vendê-los a pontos de venda espalhados pelo país.

A decisão, segundo a empresa, é “sustentada por análises econômicas e de risco, leva em conta a excepcionalidade do contexto mercadológico atual, decorrente do conflito no Oriente Médio”. Considerando ainda, prossegue a empresa, riscos de multas da ANP e da Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor).

A oferta de parte do produto em leilões vem sendo feita pela estatal como parte de uma estratégia para repassar, ao menos parcialmente, as variações das cotações internacionais, enquanto mantém o preço de refinaria do produto estável desde julho de 2023.

Nesses leilões, a estatal oferece volumes próximos à necessidade de importações do país, complementando os volumes que já vende em contratos de longo prazo às distribuidoras. As concorrências são feitas quase todos os meses, com entrega do produto no mês seguinte.