ECONOMIA


Novo tarifaço pode impactar 1/3 das exportações brasileiras; confira principais produtos afetados

Taxas somarão 37,5%, alcançando aumento de 27,5 pontos percentuais diante de tarifa atual de 10%

Foto: Victor Britto/Porto de Salvador

 

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), caso entrem em vigor, as novas tarifas de 25% propostas pelo USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) podem afetar um terço das exportações brasileiras, que serão impactadas por taxas que podem alcançar 37,5%. Esse número representa 27,5 pontos percentuais a mais do que a tarifa atual de 10%.

Há poucas semanas, o escritório comercial dos EUA propôs uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, exceto para mercadorias que se enquadram como “sujeitas às tarifas de segurança nacional”.

O órgão afirma ter determinado que as políticas do governo brasileiro sobre comércio digital, certas tarifas e desmatamento ilegal são passíveis de ação judicial nos termos da chamada Seção 301 da Lei, ferramenta de política comercial que permite aos EUA retaliar contra outras nações por práticas comerciais consideradas injustas.

Paralelamente, uma investigação sobre trabalho forçado em quase 90 países foi concluída, com o Brasil presente entre as nações investigadas. Segundo o USTR, esses países não adotam ou não aplicam, de forma efetiva, restrições à importação de bens produzidos com trabalho forçado.

Nesse caso, a proposta é a aplicação de uma tarifa adicional de 12,5%. Quando as duas medidas incidem sobre os produtos brasileiros exportados, a tarifa adicional total pode alcançar 37,5%.

“A eventual imposição de novas tarifas não beneficia nenhum dos lados. Elas aumentariam custos para empresas, reduziriam a competitividade e criariam incertezas para investimentos. O caminho mais eficiente é o diálogo”, afirma Ricardo Alban, presidente da CNI.

A confederação também levantou os principais produtos que serão impactados caso as duas tarifas entrem em vigor. Confira lista:

5 produtos que podem ser impactados com tarifa de 37,5%:
Ferro gusa não ligado;
Açúcar de cana em forma sólida;
Sebo não comestível;
Álcool etílico não desnaturado;
Molduras de madeira padrão de pinho.

5 produtos que podem ser impactados com tarifa de 12,5%:
Minério de ferro e concentrados, pelotas aglomeradas;
Lajes de quartzito;
Óleos essenciais de frutas cítricas de laranja;
Silício;
Pasta de madeira química, sulfato ou soda, graus para dissolução.

Nos dias 6 e 7 de julho, o escritório comercial americano realizará audiências públicas sobre as duas investigações para discutir as medidas e receber contribuições de empresas, entidades e governos, a fim de buscar uma solução antes das taxas serem oficialmente aplicadas.