ECONOMIA


Leite de jumenta desponta como alternativa para saúde, cosméticos e renda no Nordeste

Produto, considerado o mais próximo do leite materno, pode atender crianças com alergia alimentar e impulsionar uma nova cadeia produtiva no semiárido

Foto: Reprodução/Freepik

 

O leite de jumenta tem ganhado espaço como alternativa nutricional, terapêutica e econômica no Nordeste brasileiro. Rico em lactose, proteínas solúveis e com baixa concentração de caseína, principal causadora de alergias ao leite de vaca, o produto é apontado por estudos como uma opção segura para crianças com alergia à proteína do leite bovino, além de apresentar potencial de uso em cosméticos e alimentos funcionais.

Pesquisas conduzidas pela Universidade do Agreste de Pernambuco (Ufape) avançam para viabilizar, ainda em 2026, o uso do leite de jumenta em UTIs neonatais. Segundo os pesquisadores, o processo segue rígidos protocolos sanitários, incluindo manejo controlado do rebanho, ordenha adequada e pasteurização. Ensaios clínicos indicam que entre 82% e 98% das crianças com alergia alimentar toleram bem o consumo do produto.

Além do uso alimentar, o leite de jumenta tem forte apelo no setor cosmético, especialmente na Europa e na Ásia, onde é utilizado na produção de cremes, sabonetes e máscaras faciais. Rico em vitaminas e minerais, o produto é associado a benefícios como hidratação, elasticidade e regeneração da pele, sem a necessidade de abate do animal, fator relevante diante do risco de extinção da espécie no Nordeste.

Especialistas avaliam que a valorização da asinocultura pode gerar renda sustentável para pequenos produtores do semiárido, ao mesmo tempo em que contribui para a preservação do jumento. Com clima favorável, rusticidade do animal e demanda crescente no mercado internacional, o Brasil pode se consolidar como novo polo na produção de leite de jumenta, unindo inovação, saúde pública e desenvolvimento regional.