ECONOMIA


Investidores estão preocupados com o uso do FGC para reverter valores no caso Master

A atitude assustou o mercado que teme sofrer prejuízos financeiros com o andamento do caso e questiona o foco do Banco Central na resolução do processo

Foto: Divulgação

A investigação de fraude financeira do Banco Central (BC) que resultou um decreto de liquidação extrajudicial no Banco Master é motivo de preocupação entre investidores. Isso porque a instituição precisará acionar o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para tentar reverter os valores aplicados em produtos elegíveis à garantia.

Além disso, as investigações da Polícia Federal apontam indícios de investimentos por parte da empresa em outras companhias, supostamente ligadas à lavagem de dinheiro, o que acende o alerta para o capital bancário.

Recentemente, a reversão da liquidação do banco assustou o mercado por gerar riscos à autoridade monetária e expor dificuldades em prever os próximos cenários financeiros. Por conta das investigações, o pagamento do FGC aos investidores ainda não pôde ser iniciado, aumentando, nesse contexto, a insatisfação do mercado.

Agentes interpretaram o movimento como uma transição dos contornos técnicos para cenários institucionais, já que em 2025, o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou uma acareação de atos entre executivos do banco e representantes do BC. Em outras palavras, um procedimento jurídico para esclarecimento de ambas as partes participantes, em tentativa de evitar um conflito maior.

O que dizem os analistas:

A atitude não foi bem recebida pelos analistas e autoridades do setor, o argumento principal é que o foco do tribunal está voltado para questionar a atuação do Banco Central, em vez de verificar as ações que levaram a queda do Master, é o que avalia Carlos Henrique, CEO da fintech Sttart Pay.

Por outro lado, Raul Sena, CEO da AUVP Capital, acredita que a atuação do BC foi positiva, apesar de não resolver todos os problemas da empresa. ‘Foi dentro das regras, inclusive com prazo prévio, dado com meses de antecedência, para que o Banco Master resolvesse seus problemas de liquidez, o que aparentemente não aconteceu’, afirma o diretor executivo da AUVP ao acrescentar que a função da atividade é impedir que o sistema se desestabilize.

Por fim, a escala institucional do processo aguarda uma resolução para determinar o futuro do banco em 2026. Até o momento cerca de 1.500 instituições financeiras enviaram uma carta em defesa do BC, o que configura novas atualizações para o caso. Atualmente, o dono do Master, Daniel Vorcaro, que deixou a prisão em 29 de dezembro de 2025, segue sob monitoramento da Polícia Federal com uso de tornozeleira eletrônica.

O processo de ressarcimento do FGC para os investidores envolve a apresentação de documentos e pode exigir um longo período para ser concluído. Quanto ao futuro, a intervenção do Tribunal de Contas da União (TCU) na análise do processo de liquidação gera incertezas no cronograma de pagamentos e prorroga a resolução do caso.