ECONOMIA


Governo vê risco de impacto indireto no Pix após ação dos EUA contra facções criminosas

Equipe econômica teme sanções a instituições financeiras brasileiras caso PCC e CV passem a ser alvo de punições ligadas à classificação como organizações terroristas

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

 

O governo Lula (PT) avalia que a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas pode gerar impactos indiretos sobre o sistema financeiro brasileiro, incluindo o Pix, caso instituições financeiras do país sejam alvo de sanções.

Segundo o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, o principal risco não está na infraestrutura do Pix, mas em eventuais punições aplicadas a bancos considerados relevantes para o sistema. Nesse cenário, clientes dessas instituições poderiam enfrentar restrições para realizar transferências e outras operações.

Durigan afirmou que sanções impostas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA (OFAC) poderiam levar bancos a se afastarem temporariamente do Pix por razões de compliance. Outra possibilidade seria o próprio Banco Central recomendar o afastamento de instituições sancionadas para evitar impactos sobre o sistema.

O governo trabalha para evitar uma escalada do tema, mas reconhece que autoridades americanas possuem informações sobre investigações brasileiras envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro por organizações criminosas. Parte desses dados foi compartilhada com os Estados Unidos no âmbito da Operação Carbono Oculto.

Além das possíveis sanções financeiras, integrantes do governo também veem risco de a decisão americana fortalecer questionamentos ao Pix em investigações comerciais conduzidas pelos EUA. Empresas de cartão de crédito americanas alegam que o Banco Central favorece o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, argumento rejeitado pelo governo.

Apesar das preocupações, integrantes da área técnica do Banco Central avaliam que a infraestrutura do Pix não corre risco direto e consideram improvável um impacto operacional sobre o sistema de pagamentos. Segundo relatos, as discussões iniciais com representantes do setor financeiro têm se concentrado principalmente no aumento dos custos de conformidade e monitoramento. Com informações do jornal Folha de S. Paulo.