ECONOMIA


Fazenda eleva projeção de inflação para 2026 com alta do petróleo

IPCA sobe para 3,7%, enquanto PIB segue estimado em 2,3%

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

 

A volatilidade no mercado internacional de petróleo em meio às tensões no Oriente Médio fez o Ministério da Fazenda revisar para cima a projeção de inflação para 2026. As informações são da Agência Brasil.

Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (13) pela Secretaria de Política Econômica (SPE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve encerrar o próximo ano em 3,7%, ante estimativa anterior de 3,6%.

Apesar da revisão na inflação, a pasta manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,3% para 2026.

Segundo o governo, a atualização reflete principalmente o impacto do aumento no preço do petróleo no mercado internacional, que elevou as projeções de custos de combustíveis no Brasil.

Mesmo com o choque de preços, o governo manteve a projeção de crescimento econômico de 2,3% para 2026.

Segundo a SPE, a alta do petróleo tende a estimular a atividade econômica brasileira porque o país se tornou exportador líquido de petróleo e derivados.

A valorização da commodity pode:

ampliar o superávit comercial;
elevar a arrecadação com royalties e tributos do setor;
impulsionar a atividade extrativa e segmentos relacionados.
Em cenário de choque mais intenso, as simulações da SPE indicam que o PIB poderia ganhar até 0,36 ponto percentual adicional, embora com pressão maior sobre a inflação.

Projeções por setor
As estimativas de crescimento para os principais setores da economia em 2026 foram mantidas com pequenas alterações:

Agropecuária: crescimento de 1,2%
Indústria: alta de 2,2%
Serviços: expansão de 2,4%
Segundo a equipe econômica, o desempenho da indústria em 2025 ficou abaixo do esperado, o que reduziu o chamado “carregamento estatístico” para o crescimento do setor em 2026.

Cenários
A SPE também simulou cenários mais severos ligados ao conflito no Oriente Médio, incluindo impactos de uma guerra prolongada envolvendo o Irã. No cenário mais extremo:

O PIB poderia crescer 0,36 ponto percentual adicional;
A inflação subir até 0,58 ponto percentual;
A arrecadação federal aumentar até R$ 96,6 bilhões.
Segundo o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, projeções mais adversas dependeriam de interrupções relevantes na oferta global de petróleo.

Medidas
As projeções divulgadas não consideram ainda as medidas anunciadas pelo governo para reduzir o impacto da alta dos combustíveis. Entre elas estão:

redução a zero do PIS/Cofins sobre o diesel;
subvenção de R$ 0,32 por litro a produtores e importadores;
criação de imposto sobre exportação de petróleo.
Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o foco no diesel ocorre porque o combustível tem forte impacto sobre a inflação, já que é amplamente utilizado no transporte de cargas e no escoamento da produção agrícola.

O governo estima que as medidas podem impedir o preço do diesel de subir R$ 0,64 por litro nas bombas. Nesta sexta, a Petrobras anunciou aumento de R$ 0,38 no litro do diesel nas distribuidoras.