ECONOMIA


Exportações da Bahia caem 20% em março e atingem menor nível desde 2021

Queda no volume de embarques, especialmente de petróleo, soja e celulose, puxou resultado negativo

Foto: Victor Britto/Porto de Salvador

 

As exportações da Bahia somaram US$ 801,7 milhões em março, registrando uma queda de 20% em comparação com o mesmo período de 2025 e atingindo o menor valor para o mês de 2021. Os dados são da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia, com base em informações da Secretaria de Comércio Exterior do governo federal.

O principal fator para o recuo foi a redução no volume de embarques, que caiu 26,4%, apesar do aumento de 8,6% nos preços médios. O desempenho foi impactado sobretudo pela forte retração nas exportações de derivados de petróleo (-84,6%), influenciada pela adoração de imposto de exportação sobre alguns itens. Produtos como soja e celulose também registram queda, refletindo desde menor rendimento agrícola até mudanças na demanda e nos preços internacionais.

Entre os setores, apenas a agropecuária apresentou estabilidade, enquanto a indústria extrativa (-49,3%) e a indústria de transformação (-40,3%) tiveram recuos expressivos. A ausência de embarques de minerais como cobre e níquel e a queda nas vendas de derivados de petróleo, celulose e cacau ajudaram a pressionar os resultados.

No cenário externo, houve aumento das exportações para Canadá e União Europeia, mas queda nas vendas para mercados tradicionais como China e Estados Unidos. No caso norte-americano, o resultado é associado também à política tarifária do presidente Donald Trump, enquanto a redução das compras chinesas afetou produtos-chave da pauta baiana.

Já as importações cresceram 20,7% em março, impulsionadas pela atividade econômica e pela alta dos preços internacionais. Destaca-se o aumento expressivo na entrada de bens de consumo, especialmente veículos chineses, além da alta nas compras de bens de capital, ligados a investimentos em infraestrutura e produção.

No acumulado do primeiro trimestre, as exportações baianas somaram US$ 2,47 bilhões, com queda de 11,2%, enquanto as importações alcançaram US$ 2,62 bilhões, alta de 10%. Com isso, o estado registrou déficit comercial de US$ 149,4 milhões, revertendo o superávit observado no mesmo período do ano passado.