ECONOMIA


Exportações baianas têm queda de 23,2% em fevereiro

Queda nas vendas externas foi influenciada pelo desempenho negativo da indústria de transformação e da agropecuária, enquanto importações cresceram 21,2% no período

Foto: Jean Vagner/SEI/GovBA

 

As exportações baianas registraram uma queda de 23,2% em fevereiro de 2026, no comparativo interanual, atingindo US$ 730,9 milhões. O resultado, que ainda está sujeito a revisão, representa um desempenho negativo em importantes setores da pauta exportadora.

Os dados foram analisados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), vinculada à Secretaria de Planejamento (Seplan), a partir da base de dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

A indústria de transformação registrou recuo de 34,4% em relação ao mesmo mês do ano passado, muito por conta da perda de competitividade da indústria química, pressionada por importações asiáticas a custos mais baixos.

Outro setor que registrou queda foi a agropecuária, com uma diminuição de 11,1%, reflexo da prevista redução na produtividade da safra de grãos.

A indústria extrativa, que registra apenas 7% das exportações baianas, registrou aumento de 359,5% nas vendas externas, puxado pela valorização do ouro, que já supera US$ 5.180 por onça-troy, para contratos futuros com entrega em abril. Metais preciosos também tiveram fortes altas no começo do ano.

No primeiro bimestre de 2026, as exportações estaduais atingiram US$ 1,45 bilhão, com queda de 18,6%

Importações

As importações tiveram incremento de 21,2%, principalmente de combustíveis (petróleo cru e nafta) oriundos dos EUA, Gabão e Argentina. Os números são influenciados pela guerra no Oriente Médio.

Também houve aumento de 455% de bens de consumo, atrelado ao crescimento na compra de veículos de passeio, exclusivamente chineses.

No primeiro bimestre do ano, as importações somaram US$ 1,59 bilhão, em alta de 4,0% ante igual período de 2025. O déficit comercial do estado no primeiro bimestre foi de US$ 146,1 milhões, enquanto que a corrente de comércio atingiu US$ 3,0 bilhões, 8,1% inferior ao bimestre de 2025.

O conflito no Oriente Médio tende a aumentar o déficit comercial baiano, desencadeando uma série de impactos sobre preços, inclusive de insumos estratégicos para o estado como alta no preço de fertilizantes (agricultura) e nafta (indústria), além do aumento dos fretes marítimos, seguro de carga e atraso em rotas de entrega.