ECONOMIA


Empresas de irmãos de Toffoli tiveram como sócio fundo ligado a suspeitas no caso Master

Ministro e parentes não comentam conexões; gestora e banco não se manifestam

Foto: Rosinei Coutinho/STF


Empresas associadas a irmãos e a um primo do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), tiveram como sócio um fundo de investimentos ligado à estrutura investigada no caso Banco Master, segundo reportagem da Folha de S.Paulo.

O Arleen Fundo de Investimentos manteve, ao menos até maio de 2025, participação acionária na Tayayá Administração e Participações, responsável por um resort em Ribeirão Claro (PR) que tinha a família de Toffoli entre os proprietários. O fundo também possuía participação direta na DGEP Empreendimentos, incorporadora imobiliária da mesma cidade que tinha como um de seus sócios um primo do ministro.

A ligação com o caso Master ocorre por meio de uma cadeia de fundos. O Arleen foi cotista do RWM Plus, que, por sua vez, recebeu aportes de fundos vinculados ao Maia 95 — um dos seis fundos apontados pelo Banco Central como integrantes da suposta teia de fraudes do banco controlado por Daniel Vorcaro. O Arleen, entretanto, não é alvo direto de investigação.

Tanto o Arleen quanto os demais fundos envolvidos na cadeia têm como administradora a Reag, empresa que também administrava fundos ligados a Vorcaro e que é investigada na operação Carbono Oculto, sob suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital).

Procurado, o STF foi questionado se o ministro Dias Toffoli tinha conhecimento das conexões e se elas poderiam representar impedimento na condução do caso, mas não houve resposta até a publicação da reportagem. Parentes do ministro também não se manifestaram. A Reag e o Banco Master afirmaram não comentar o assunto.

Com apenas um cotista, o Arleen foi encerrado no fim de 2024. Conforme balanço de maio de 2025, o fundo mantinha quatro investimentos: nas duas empresas ligadas à família Toffoli (Tayayá e DGEP), em uma holding sem registros em bases oficiais e no RWM Plus.

De acordo com investigadores, uma cadeia de fundos administrados pela Reag teria sido usada para desviar recursos emprestados pelo Banco Master, com a suposta cumplicidade da instituição financeira. O mecanismo envolveria a aplicação dos valores dos empréstimos e sua circulação por uma rede de fundos que adquiria ativos de baixo valor para inflar artificialmente patrimônios, entre outras operações consideradas suspeitas.