ECONOMIA


Empresa de réu por estelionato contra vítimas do INSS recebeu R$ 126 mi do Master

Montante supera pagamentos ao escritório de Viviane Barci e foi o terceiro maior repasse identificado após eclosão de escândalo; banco não se manifesta

Foto: Reprodução

 

O Master pagou R$ 126,6 milhões à empresa desconhecida de um beneficiário do auxílio emergencial na pandemia de Covid-19 em transações classificadas pelo banco de Daniel Vorcaro como pagamentos por prestação de serviços.

Gilson Bahia Vasconcelos figura como sócio-administrador da Midias Promotora LTDA, localizada no centro do Rio de Janeiro, segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo.

O valor supera, por exemplo, o montante de R$ 80 milhões declarado como pago ao escritório de Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes.

Procurada, a assessoria de imprensa de Daniel Vorcaro não respondeu.

De acordo com a Folha, Bahia Vasconcelos enfrenta processo em que é acusado de estelionato. Ele é apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como um dos líderes de um suposto esquema de fraude contra aposentados e pensionistas do INSS –a maioria idosos. A defesa dele nega as acusações.

Segundo a denúncia, a organização criminosa acessava dados das vítimas por meio de um programa de computador chamado Vanguard. Depois, funcionários de uma equipe de call center ligavam para as vítimas oferecendo cartões de desconto em lojas, mas alegavam que para dar o benefício precisavam de um encontro presencial para fazer a foto do cartão.

Neste momento, sem saber, a vítima cedia sua imagem para reconhecimento facial, que era usado para firmar contratos de empréstimo consignado com desconto em folha de pagamento, e o dinheiro em seguida era desviado.

Ainda conforme o Ministério Público, o esquema contava com uma equipe de dezenas de funcionários, que para atrair mais vítimas eram estimulados com bonificações. Ganhavam prêmios como serviços de beleza, manicure, bronzeamento e cílios postiços.