ECONOMIA


Em crise, Correios colocam imóveis à venda e esperam arrecadar até R$ 1,5 bilhão

Estatal inicia leilões em 12 estados e afirma que venda de ativos ociosos não deve afetar serviços à população

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

Os Correios anunciaram nesta sexta-feira (6) a venda de imóveis próprios em diferentes regiões do país como parte do plano de reestruturação financeira da empresa. Em meio a uma crise considerada histórica, a estatal espera arrecadar até R$ 1,5 bilhão até o fim de 2026 com a alienação de ativos classificados como ociosos.

A primeira etapa dos leilões está marcada para os dias 12 e 26 de fevereiro e contará com 21 imóveis distribuídos em 12 estados, incluindo a Bahia. Os certames serão totalmente digitais e abertos à participação de pessoas físicas e jurídicas, com lances iniciais que variam de R$ 19 mil a R$ 11 milhões.

Entre os bens ofertados estão prédios administrativos, galpões, terrenos, lojas e apartamentos funcionais. Segundo a empresa, a medida faz parte de um pacote para reduzir custos fixos, reorganizar as finanças e recuperar capacidade de investimento, sem impacto direto na prestação dos serviços postais.

A venda de imóveis ocorre paralelamente a outras ações de contenção de despesas, como o programa de demissão voluntária aberto no início de 2026. A expectativa dos Correios é reduzir o quadro em cerca de 15 mil funcionários, como forma de diminuir o peso da folha salarial, que hoje consome cerca de 60% da receita da estatal.

Nos últimos anos, a situação financeira se deteriorou rapidamente. Após registrar prejuízo de R$ 2,5 bilhões em 2024, a empresa estima que o rombo de 2025 possa chegar a R$ 10 bilhões. Para manter as operações, os Correios contrataram um empréstimo de R$ 12 bilhões, com garantias do Tesouro Nacional, e não descartam a necessidade de novos aportes ao longo de 2026.