ECONOMIA


Dólar sobe mais de 2% e passa de R$ 5,30 com escalada do conflito no Oriente Médio

Tensão envolvendo o Irã eleva petróleo, amplia aversão ao risco e reduz apostas em corte de juros nos EUA

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

 

O dólar à vista disparou nesta terça-feira (3), refletindo o aumento das tensões no Oriente Médio e a busca global por ativos considerados mais seguros. Às 16h37, a moeda norte-americana avançava 2,12%, cotada a R$ 5,274 na venda, enquanto o contrato futuro para abril subia 2,36% na B3, a R$ 5,339. O movimento ocorre em meio à escalada do conflito envolvendo o Irã, que impulsionou os preços do petróleo e elevou preocupações com a inflação global.

O agravamento do cenário geopolítico reduziu as apostas de cortes iminentes de juros pelo Federal Reserve. O mercado já precifica o primeiro corte apenas para setembro, enquanto diminuem as expectativas de uma terceira redução em 2026. O ambiente de incerteza reforça o fluxo para o dólar e pressiona moedas de países emergentes, como o real.

A suspensão da produção de gás natural liquefeito pelo Catar, responsável por cerca de 20% da oferta global, intensificou o temor de choques de oferta. O fechamento, ainda que contestado, do Estreito de Ormuz e novos bombardeios na região ampliaram o chamado “prêmio geopolítico” embutido nos ativos. “O que estamos vendo é um movimento clássico de fuga para ativos considerados mais seguros, em meio à piora do cenário geopolítico”, afirmou Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil. Para Bruno Shahini, especialista da Nomad, o cenário colocou os mercados em modo “risk-off”, elevando de forma expressiva a aversão ao risco.

No Brasil, dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, mostraram a criação de 112.334 vagas formais em janeiro, acima da expectativa de 92 mil apontada pela Reuters. O PIB avançou 0,1% no quarto trimestre e fechou 2025 com alta de 2,3%, em linha com as projeções. Mesmo com indicadores domésticos positivos, o câmbio segue reagindo principalmente ao ambiente externo.