ECONOMIA


Copa 2026 pode movimentar ações; veja principais setores afetados

Varejo lidera lista, com aumento expressivo na demanda por produtos

Foto: Adidas/Reprodução

 

No Brasil, a tradição cultural de torcer pela seleção e acompanhar a Copa do Mundo de 2026, que começa nesta quinta-feira (11) e se estende até o dia 14 de julho, toma dimensões tão grandes que pode transformar o resultado do trimestre (ou do ano) de setores inteiros do mercado financeiro.

O cenário atual deve provocar, de modo geral, uma alta generalizada da demanda e efeito sobre a produtividade em diversos setores. Dentro do varejo, a venda de camisetas, televisões e até bebidas, por exemplo, são as principais impactadas pela chegada da competição mundial.

De acordo com a XP Investimentos, o Grupo SBF (SBFG3) deve ser uma das grandes vencedoras no varejo desportivo, com o aumento da procura por camisetas oficiais. Analistas do Banco Safra acreditam que a Netshoes, dentro do Magazine Luiza (MGLU3), também deve capturar grande parte da demanda por produtos da seleção.

Segundo os analistas do BTG Pactual, empresas de artigos esportivos se beneficiam tanto da expansão de volume quanto de um mix favorável, com as categorias de futebol apresentando margens estruturalmente mais altas e descontos menores.

Durante a Copa, consumidores também costumam atualizar suas TVs e produtos auxiliares. De acordo com a XP, o Magazine Luiza (MGLU3) historicamente apresenta forte desempenho durante o evento, refletindo investimentos pesados e consistentes em marketing. As Casas Bahia (BHIA3) também manteve resultados sólidos nas últimas edições.

Para os analistas do Banco Safra, a Heineken tende a se beneficiar não apenas do efeito direto da Copa do Mundo sobre o consumo, mas também de condições climáticas mais favoráveis, que costumam ajudar o desempenho do canal de bares e restaurantes.

Já no setor de frigoríficos, os analistas da Genial Investimentos fizeram uma análise da edição de 2022 da competição para tentar mensurar o impacto da Copa do Mundo. Com base no estudo, os economistas notaram que, na época, o evento chegou a provocar algum efeito no setor, mas não necessariamente de preço.

Mesmo com o crescimento de demanda levando ao aumento de volume e mix, o ganho foi parcialmente consumido pela própria despesa de marketing. Os economistas estudaram os resultados de quatro companhias JBS (BDR: JBSS32), Marfrig, Minerva (BEEF3) e BRF (atualmente, MBRF MBRF3 após fusão com Marfrig).

De acordo com a análise, o pico foi “inequívoco e efêmero” no varejo doméstico. Os segmentos de carne (+20%), frango inteiro (+60%) e espetinho (+67%) tiveram alta nos dias de jogo da Seleção e véspera. No geral, entretanto, o pico de varejo não alcançou a demonstração de números das companhias.

De acordo com o Safra, os jogos da Copa do Mundo podem gerar ruídos pontuais de produtividade no setor de bens de capital. De maneira geral, entretanto, não há evidências de impacto relevante sobre a produção ou sobre os resultados das companhias.

Ainda assim, com base em edições anteriores, os analistas destacam que partidas disputadas em horário comercial podem provocar disrupções pontuais de produtividade. De acordo com o banco, esse risco aparece, em especial, em operações industriais mais intensivas em mão de obra.

No entanto, a expectativa para 2026 é mais amena. Com os primeiros jogos da seleção agendados para o período noturno, as possíveis perdas de produtividade são reduzidas.