ECONOMIA


CGU alertou INSS sobre fraudes em empréstimos consignados

Auditoria revelou falhas graves no sistema de concessão, exigindo revisão urgente das práticas

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

 

Em 2024, a Controladoria-Geral da União (CGU) emitiu um alerta ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) sobre a necessidade de revisar as regras e o acompanhamento dos empréstimos consignados para aposentados e pensionistas. Segundo a auditoria, um em cada quatro contratos apresentava problemas, incluindo fraudes e averbações não autorizadas. A GloboNews divulgou que o relatório da CGU pede uma nova linha de investigação sobre as práticas do INSS, já que o órgão e a Dataprev recebem remuneração pela concessão desses empréstimos.

O relatório revelou que o ex-procurador do INSS, envolvido em um escândalo de enriquecimento ilícito, tentou impedir o bloqueio dos consignados no Tribunal de Contas da União. Ele argumentou que o bloqueio do sistema online sobrecarregaria as agências com idosos e pessoas sem acesso digital. Contudo, a CGU destacou que o sistema atual não garante informações precisas sobre os empréstimos. As inconsistências nos registros dificultam tanto o acompanhamento quanto a verificação dos limites de juros.

A reportagem da GloboNews, assinada por Amanda Lüder, mostrou que muitos aposentados recorreram à Justiça para contestar empréstimos fraudulentos. Um caso emblemático envolveu um aposentado que, após três anos de batalha judicial, descobriu ser vítima de uma segunda fraude, envolvendo descontos indevidos de uma associação sindical à qual nunca pertenceu. Essas irregularidades desencadearam uma operação da Polícia Federal que resultou na destituição da cúpula do INSS.

A investigação também apontou que as fraudes foram facilitadas por uma medida provisória, durante o governo Bolsonaro, que estendeu o prazo para revalidação de filiação a entidades sindicais de um para três anos. O Jornal Nacional relatou que uma associação chegou a filiar 1,5 mil aposentados por hora, expondo a gravidade do problema. O caso sublinha a urgência de reformas no sistema de empréstimos consignados e a necessidade de maior vigilância e transparência por parte do INSS.