ECONOMIA


Cesta da Páscoa registra deflação de 2,84% na RMS em 2026

Queda é puxada principalmente por alimentos como alho, arroz e tomate, apesar da alta do chocolate, aponta Fecomércio

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

A cesta de produtos típicos da Páscoa registrou deflação de 2,84% em 2026 na Região Metropolitana de Salvador (RMS), segundo levantamento da Fecomércio-BA com base no IPCA-15 do IBGE.

O recuo ocorre no acumulado de 12 meses e contrasta com a inflação geral da região, que avançou 3,31% no mesmo período. O estudo analisou 11 itens tradicionalmente consumidos na Páscoa e mostra um cenário mais favorável para o consumidor neste ano.

Em 2025, a mesma cesta havia registrado leve alta de 0,84%. Entre os produtos que mais puxaram a deflação estão alho (-26,87%), arroz (-26,81%) e tomate (-24,04%). Também apresentaram queda o azeite de oliva (-18,24%), a cebola (-14,63%) e o ovo de galinha (-3,23%). Segundo o consultor econômico da Fecomércio-BA, Guilherme Dietze, a redução é especialmente significativa no caso do alho, que havia registrado forte alta no ano passado.

“Os alimentos que compõem a refeição típica da Páscoa, especialmente os usados em pratos à base de pescado, apresentam majoritariamente queda de preços em relação ao ano anterior”, afirmou.

Apesar da deflação na cesta, alguns itens registraram aumento. Os pescados subiram, em média, 2,34%, os panificados tiveram alta de 4,03% e a azeitona avançou 7,2%. O principal destaque negativo continua sendo o chocolate. Os preços de barras e bombons aumentaram 24,33%, enquanto chocolate em pó e achocolatado subiram 17,56%, reflexo da valorização do cacau no mercado internacional após problemas na safra africana. De acordo com o presidente do Sistema Comércio-BA, Kelsor Fernandes, a queda nos preços de parte dos alimentos deve favorecer o consumo.

“Com a redução de alguns insumos da refeição de Páscoa, o momento tende a ser mais tranquilo para as compras. No caso do chocolate, a variedade de tamanhos e sabores permite manter a tradição sem comprometer tanto o orçamento”, afirmou.

Com esse cenário, a Fecomércio projeta crescimento de 3% nas vendas do comércio em abril, que devem alcançar R$ 7,6 bilhões na RMS. Ainda assim, especialistas recomendam pesquisa de preços, especialmente para chocolates, que seguem pressionados por custos de produção, logística e embalagem.