ECONOMIA


Caminhoneiros decidem hoje se farão greve

Possível paralisação seria motivada pelo aumento no preço do diesel, que subiu 18,86% desde o fim de fevereiro

Imagem: José Lucena/Futura Press/Agência Estado

 

Lideranças dos caminhoneiros se reúnem na tarde desta quinta-feira (19) no Sindicam (Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista) para a realização de uma assembleia e a definição sobre uma paralisação dos motoristas nos próximos dias. O movimento grevista é motivado pela insatisfação com o aumento de preço do óleo diesel nos postos.

A Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores) e o Sindicam (Sindicato dos Caminhoneiros de Santos) aparecem entre os principais defensores da paralisação. Os caminhoneiros receberam orientações para ficarem em casa ou parados em postos, sem bloquear as estradas para evitar a cobrança de multas.

A alta é resultado do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, que instabilizou o mercado global de petróleo. O movimento reflete o salto de 42,7% no valor do Brent, um tipo de petróleo bruto.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) afirmou aguardar pelo resultado da assembleia antes de decidir pelo apoio ao movimento grevista. “A CNTTL reforça que estará do lado dos trabalhadores, respeitando a decisão da maioria nesta assembleia”, afirmou em nota.

Ontem, o ministro dos Transportes, Renan Filho, anunciou que o governo vai punir as empresas que não pagarem preço mínimo de frete aos motoristas, em uma tentativa de evitar a paralisação.  A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) passará a realizar fiscalização eletrônica em 100% dos fretes rodoviários.

Medidas estão sendo tomadas pelo Governo Federal para conter o preço do diesel. Na primeira ofensiva, o Planalto zerou impostos federais (PIS/Cofins) sobre o combustível. Em seguida, representantes do governo iniciaram negociações com os governos estaduais para a suspensão do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre o diesel importado.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) anunciou que vai intensificar a fiscalização, com a punição de cobranças abusivas de combustíveis em postos. A PF (Polícia Federal), por sua vez, abriu um inquérito para investigar suspeitas de preços abusivos e crimes contra consumidores no mercado de combustíveis.

Além das solicitações pelo fim dos fretes abaixo do piso e punição para empresas que descumprem a lei, a CNTTL solicita a volta da Petrobras como distribuidora. ”Os caminhoneiros estão no limite. A implementação dessas medidas é fundamental para garantir a sobrevivência da categoria”, defendeu Carlos Alberto Litti Dahmer, diretor da CNTTL.